Os associados da Região do Porto, tem
obrigatoriamente de entregar à Direção Regional
as inscrições e os respetivos pagamentos,
individualmente ou através da Direção de Núcleo.
Os pagamentos podem ser feitos em dinheiro, cheque ou
por transferência bancária para o NIB = 0035 0743 0000
840 333 058, anexando ao boletim de inscrição o
respetivo comprovativo.
O valorda
inscrição são 80,00 (oitenta) euros e pagamento único até ao dia
30 de abril de 2012.
As
crianças dos 6
aos 12 anos o valor da inscrição são 50,00 (cinquenta)
euros e pagamento único até ao dia
30 de abril de 2012.
Informação Nacional
Os Núcleos que tem Direção
Regional, tem obrigatoriamente de entregar às suas Direções Regionais
as inscrições e os respetivos pagamentos.
Os Núcleos que não tenham Direção
Regional, as inscrições e pagamentos serão enviados
diretamente para a
Fraternidade de Nuno Álvares – Área Administrativa e
Financeira do VII ACANAC – Rua das Chagas, 8 – 1200-107
Lisboa, só neste
caso os pagamentos podem ser feitos por transferência
bancária para o nib:
0010 0000 3827808 000 171, anexando ao boletim de
inscrição o respetivo comprovativo.
Os valores e prazos são
precisamente os mesmos.
Vídeo
promocional do ACANAC
O local do ACANAC da FNA, acolheu em julho de 2011, o VII ACANUC, organizado
pela da Junta de Núcleo de Guimarães do CNE, onde participaram mais de 1300
Escuteiros.
Cidade de
Guimarães
Em 2012
Guimarães acolhe também um grande encontro de criadores e criações — música,
cinema, fotografia, artes plásticas, arquitetura, literatura, pensamento,
teatro, dança, artes de rua. Em Guimarães vão cruzar-se os produtos artísticos
imaginados e gerados pelos seus residentes com os que de toda a Europa afluirão
à cidade. Ao longo de um ano, a cidade será promotora da diversidade cultural
que caracteriza a Europa, dando a conhecer as suas manifestações culturais e
acolhendo as de outros países.
História da
Cidade de Guimarães
Habitualmente designada
por Berço da Nacionalidade, a cidade de Guimarães possui
características ímpares que a distinguem de outras cidades
portuguesas e a colocam num lugar de relevo na História de
Portugal, o que lhe confere tal epíteto:
- de acordo com o que
reza a tradição, terá sido em Guimarães que nasceu e foi
batizado aquele que, em 1179, viria a ser coroado o primeiro
Rei de Portugal , D. Afonso Henriques;
- Guimarães assumiu um papel de grande
relevo no tempo do Condado Portucalense, pois era a sua
villa
mais importante;
- Guimarães terá sido palco da batalha
de S. Mamede, cuja vitória de D. Afonso Henriques foi
decisiva para a fundação da Nação Portuguesa ao garantir a
independência do Condado Portucalense face ao Reino de Leão.
A origem de Guimarães remonta a uma
villa,
então designada
Vimaranes,
que se julga ser o genitivo do nome pessoal de origem
germânica Vimara ou Guimara, o qual seria um dos donos desta
terra. Com o passar dos séculos, a palavra foi evoluindo
para Guimarães por via do Latim. No entanto, ainda hoje os
habitantes de Guimarães são designados por "Vimaranenses".
No século X, a Condessa Mumadona Dias, tia do Rei Ramiro II
de Leão e viúva do Conde Hermenegildo Gonçalves, manda
construir na sua terra Vimaranes o convento de frades e
freiras que se tornou num polo de atração e de fixação
populacional. Para sua defesa, Mumadona manda erguer o
Castelo, entre os anos de 959 e 968. A entãovilla Vimaranes
desenvolve-se em volta destes dois polos dinamizadores: o
Convento e o Castelo. No século XI o rei Afonso VI de Leão e
Castela entrega o governo da Província Portucalense ao Conde
D. Henrique, que para aqui vem viver. Este casa-se com D.
Teresa (filha ilegítima de D. Afonso IV). Desta união nasce,
em 1111, aquele que viria a tornar-se o primeiro rei de
Portugal, D. Afonso Henriques. Em 1114, o Conde D. Henrique
morre, tendo, poucos anos antes, outorgado foral à
villa
Vimaranes
concedendo privilégios especiais aos seus moradores. Em
1128, no dia vinte e quatro de Junho, dá-se a Batalha de S.
Mamede. O Campo de S. Mamede, junto ao Castelo de Guimarães,
é apontado por vários historiadores como tendo sido um dos
seus palcos. Esta batalha é travada entre as hostes de D.
Afonso Henriques e as de sua mãe, D. Teresa e do Conde de
Trava de Galiza, em que os primeiros defendiam a
independência do condado face ao reino de Leão. Esta batalha
é vencida por D. Afonso Henriques marcando assim os
alicerces da nação Portuguesa. Em 1179, D. Afonso Henriques
é reconhecido Rei de Portugal pelo Papa Alexandre III. No
século XII, o Convento, fundado pela Condessa Mumadona Dias,
vai ser transformado em Colegiada, que ao longo dos tempos
vai ver o seu prestígio e importância valorizados face às
doações e privilégios que lhe vão sendo concedidos por reis
e nobres. Com o passar dos séculos, Guimarães vai ser palco
do desenvolvimento de algumas indústrias como sendo a
cutelaria, a fiação e tecelagem de linho, a curtimenta das
peles e a ourivesaria. No plano religioso, a devoção pela
Virgem Santa Maria de Oliveira faz da vila um importante
centro de peregrinação. Em volta dos seus dois polos
dinamizadores - do Convento e do Castelo - vai ser
construída uma muralha defensiva e, a ligá-los, forma-se a
Rua de Santa Maria. Aos poucos, estes dois aglomerados
urbanos vão fundir-se num único e a organização e fisionomia
da vila intramuros pouco mudará após o século XV. A
instalação das ordens religiosas dos Dominicanos e
Franciscanos, fora dos muros do burgo, vai contribuir para a
urbanização extramuros e consequente alargamento da cidade.
No ano 1853, a Rainha D. Maria II eleva a vila à categoria
de cidade, sendo a partir daqui fomentado e autorizado o
derrube das muralhas, muralhas estas das quais é ainda
possível hoje em dia observar alguns vestígios.
Santuário de Nossa Senhora da Penha
O Santuário de Nossa
Senhora da Penha foi construído a meados do século XVII na Montanha da
Penha. É um centro de peregrinação muito importante que concentra um
grande número de fiéis, sobretudo durante a época de verão. Merece
especial destaque os azulejos que decoram as paredes, obra de Policárpio
de Oliveira Bernardes, e o púlpito da sua capela. Todos os anos o
segundo domingo de Setembro se celebra uma peregrinação ao Santuário.
Guimarães
Com o seu centro histórico recentemente
declarado Património da Humanidade pela UNESCO, Guimarães junta esse
galardão a outro título que exibe por direito próprio, o de berço da
nação Foi no seu altivo e monumental castelo que nasceu, no século XII,
o primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques. O centro histórico
agora distinguido está extremamente bem conservado e as ruas estreitas e
de aspeto medieval, com casas antigas embelezadas por estátuas ou
varandas de torneados, conduzem ao belíssimo Largo da Oliveira, um dos
centros de maior interesse.
Citânia de Briteiros
As ruínas arqueológicas de Briteiros S. Salvador representam uma prova
da existência de um povoado primitivo, de origem pré-romana, chamados
"castros" no noroeste de Portugal, onde é possível encontrar vestígios
da cultura castreja. O espólio arqueológico destas ruínas encontra-se
exposto no Museu da Sociedade Martins Sarmento, em Guimarães.
Castelo de
Guimarães
O castelo de Guimarães é sem sombra de duvida o castelo
símbolo da nacionalidade portuguesa, não poderia portanto deixar de falar de
forma especial deste belo e altivo castelo construído com tanta arte, sabedoria
e magnificência.
Integrado decerto na corrente de nobres atraídos ao ocidente peninsular pelas
vicissitudes da Reconquista Cristã, um rico homem
crivelmente de ascendência castelhana, Diogo Fernandes, veio nos fins do século
IX estabelecer-se na região vimaranense, então em início dum promissor
desenvolvimento. Com ele vieram a mulher e a prole, que provavelmente abrangia
já, embora neste caso, todos de tenra idade, o filho e as três filhas que a
constituíram. Entre estas, contava-se uma, de nome Mummadona,
que haveria de notabilizar-se, não só por no seu casamento com Hermenegildo
Gonçalves se ter originado uma dinastia condal que governou, desde meados do
século X até ao terceiro quartel do XI, a já chamada terra portucalense, núcleo
do futuro Portugal, mas também pelo seu devotamento ao progresso e à defesa da
incipiente Guimarães, então repartida em dois modestos núcleos populacionais, um
no alto do Monte Largo – alpis latitus no latim dos documentos da época – e o
formado no sopé dessa colina. Tendo enviuvado não depois do ano 928, Mummadona viu-se senhora de vastíssimos
bens, que em Julho de 950 partilhou com os seus filhos – cinco homens e uma
mulher – para logo a seguir, animada de viva religiosidade, fundar na vila baixa
um mosteiro, ao qual, nove anos depois, em Janeiro de 959, fez uma amplíssima
doação de terras, gados, rendimento, ricos ornamentos de culto e livros
religiosos. Porém, naqueles tempos, não decorria tranquila a
vida quotidiana no noroeste peninsular, em que se engastava a progressiva
Guimarães; além da ameaça permanente de possíveis investidas das hostes
muçulmanas, ainda dominantes ao sul Coimbra, eram sobretudo inquietantes os
repetidos assalto dos chamados normandos, misto de guerreiros e piratas, que
provenientes dos mares do norte da Europa, abordavam em som de guerra as costas
peninsulares ou subiam os cursos dos rios, e desembarcando espalhavam por toda a
parte sangue e ruínas, saqueando, matando e cativando, após o que, com maior ou
menor demora, reembarcavam, embora não o fizessem incólumes. Dos anos subsequentes ao daquela doação, algumas dessas incursões são
conhecidas, além certamente de vários outros assaltos cuja escassa monta se
apagou na memória das gentes, não deixando rasto na história. Uma dessas
irrupções, de muçulmanos ou normandos, sobreveio por aquelas vizinhanças, e o
coração da piedosa dama foi tocado de profundo temor pela segurança do mosteiro
a que era tão devotada. Então resolveu ela construir naquele Monte Largo, a
cavaleiro das casas por que se repartiam as duas secções masculina e feminina da
instituição monástica que fundara, um castelo, onde a comunidade se acolhesse em
ocasião de perigo. É bem conhecido e várias vezes citado o trecho da carta de
doação desse castelo aos religiosos, lavrada em Dezembro de 968, do qual consta
a referida decisão. Já nesse ano, e em anos seguintes por mais de uma vez,
monges e monjas estariam de olhos postos no seu refugio castelejo, e prestes a
correrem para ele. Primeiro, porque justamente desde os alvores desse 968
largamente se espalharam pelas terras da Galiza, levando-as a ferro e fogo, os
oito mil normandos do viking Gunderedo, que só muito mais tarde vieram a ser
vencidos e expulsos; depois, porque em várias ocasiões andou a guerra pelo norte
de Portugal, movida ora por muçulmanos, ora por normandos. Nomeadamente em 997,
quando Mohâmede Abu-Amir, o celebre Al-mansor, vindo de Cória, fez caminho pela
Beira, veio ao Porto, e, como o seu fito era destruir Compostela, deve ter
seguido, desde aquela cidade, pela estrada romana que a ligava a Braga, passando
portanto a uns quinze quilómetros de Guimarães, em marcha bélica embora não
agressiva; mais perigosamente em 1010 ou 1016, porque então uma horda normanda
invadiu a região ao sul do Minho e chegou às vizinhanças Guimarães, pois assolou
as terras da vizinha Vermoim, cujo castelo assaltou.
Unanimemente se crê dever ser rude e simples, uma torre e porventura um modesto
muro de defesa esse primitivo castelo, que nos fins do século Xl – quando o
governo da terra portucalense, logo também chamada província portucalense, foi
confiado ao Conde Henrique por seu sogro, o monarca leonês Afonso VI – devia
estar já assaz arruinado, sendo então provavelmente demolido por iniciativa
daquele nobre parente dos reis de França, a quem se devem os primeiros
lineamentos da independência de Portugal, e substituída por outra edificação
mais ampla e mais sólida, que, posteriormente acrescida e melhorada, veio a
constituir esse importante conjunto ainda perdurante. Cobrindo um espaço escutiforrne, delimitado pela
sua linha de muralhas, voltada ao norte em face quase reta, e a leste e a oeste
em faces de progressiva curva que vem ligar-se, formando vértice, no sul – o
castelo é dominado pela quadrangular torre de menagem, que ao centro da
edificação ostenta a sua imponente altura. Quatro outras grandes torres, de
porte um tanto menor, guarnecem a muralha, nos ângulos meridional e nordestino e
nas faces setentrional e ocidental; um par de torreões flanqueia a porta
principal, aberta a oeste, e outro a porta da traição, na face oposta.
Por sobre as muralhas corre um amplo adarve, com acesso interior por adossadas
escadarias de pedra, ligado na sua face oeste por uma fruste ponte de madeira, à
porta de entrada da torre de menagem, aberta na equivalente altura duns folgados
cinco metros; finalmente, tudo, adarves e terraços das torres e torreões,
defendido por parapeitos coroados de ameias. No terreiro, adossada à muralha do
norte, uma casa, visivelmente de habitação, cujas nada grandiosas dimensões os
existentes restos testemunham. A evolução construtiva deste interessante
castelo não e conhecida através de fontes históricas suficientemente
esclarecedoras; e quase pode dizer-se que tudo quanto se tem apurado resulta de
dados oferecidos pela própria construção, dadossobre os
quais se apoiam as Possíveis hipóteses cronológicas. Bom testemunho de tais
dificuldades e dado pelas duvidas que podem formular-se a respeito da total
demolição ou parcial aproveitamento da primitiva edificação quando a nova foi
encetada, pois tudo quanto a esse problema se refere, ou ao avanço da nova
construção, tem sido expresso, como é natural, em afirmações cautelosas e um
tanto vagas cronologicamente. Quanto às muralhas, é visível no seu troço voltado
à cidade uma sobreposição de sistemas construtivos, de pedras irregulares até
certa altura e esquadriadas daí para cima, circunstância que parece denunciar a
existência de duas fases construtivas, uma mais antiga, porventura a henriquina,
e outra de melhoramentos que tem sido atribuídos ao século XIV. Uma palavra
cumpre acrescentar ainda, referentemente ao edifício adossado a parte interna da
muralha setentrional, tradicionalmente considerado moradia do Conde D. Henrique
e berço do primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques. Essa tradição levantou
há um século prolongada controvérsia, e as duvidas a tal respeito persistem
ainda. Invocou-se, e invoca-se, contra ela, a relativa exiguidade da construção;
mas este argumento perde valor quando se pensa que nessa época, e mesmo algum
tanto posteriormente, até os reis eram, quanto a isso, tão pouco exigentes, que
em certas circunstâncias o paço real – assim mesmo o paço – era de tal modéstia,
que a sua cobertura se fazia com colmo. Mais forte é porventura o facto de
saber-se pela carta de doação duns campos m Guimarães, outorgada em 2 de Janeiro
de 1121 pela condessa D. Teresa a certos franceses aí moradores, que esses
campos ficavam junto do palácio da doadora, na denominada Rua dos Franceses;
portanto nesta data, e evidentemente com anterioridade maior ou menor, a
residência condal era na vila e não no castelo, Admitindo que a anterioridade de
tal residência não atingia os últimos anos da vida do Conde Henrique, falecido
em 1112, e consequentemente o do nascimento de D. Afonso Henriques (1009 ? ),
pode aceitar-se residirem o conde e a família durante esses anos no castelo, e
ter assim fundamento a aludida tradição; mas, para tal, tem ainda de admitir-se
que a reedificação empreendida por ele ia já adiantada ao ponta de abranger a
conclusão do dito imóvel, e que só morto o Conde, a viúva se mudou do castelo
para a vila. Tudo, afinal, hipóteses sobre hipóteses, à espera dum milagre
documental que resolva o problema. Aceite-se, porém, que ou logo de começo, ou
apenas depois, o discutido domicílio serviu de moradia ao alcaide, que, no
castelo de Guimarães, como habitualmente, devia obrigatoriamente residir. No
decurso dos séculos XII a XIV, vários sucessos esmaltam a história militar deste
castelo. Nele deve ter resistido o moço Afonso Henriques, quando em 1127,
achando-se em Guimarães, ali veio mover-lhe guerra o rei de Leão, Afonso VII,
seu primo, com o fito de reduzi-lo à vassalagem de que, já em luta com a mãe
para obtenção do governo do condado portucalense, pretendia libertar-se.Ao castelo vimaranense pode também considerar-se
ligada a tradição dum acto então praticado por Egas Moniz, antigo aio e devotado
partidário de Afonso Henriques, o qual tendo ficado fiador do novo infante,
quando este, no aperto das circunstâncias, prometeu constituir-se vassalo do rei
de Leão, promessa que, uma vez liberto do assédio, logo renegou – se dirigiu a
corte leonesa, para oferecer a Afonso VII, em resgate da violada fiança, as
vidas, sua e dos seus, entendendo que a independência da terra portuguesa, de
que aliás era fervoroso propugnador, não devia assentar num perjúrio, tradição
que Camões imortalizou em algumas poéticas estrofes dos Lusíadas. Em 1322, no decurso da campanha movida pelo Infante D. Afonso, futuro Afonso
IV, contra o pai, D. Dinis, pretendendo que este lhe entregasse o governo, tocou
a vez a Guimarães, que o impetuoso moço veio cercar. Novamente o castelo teve
então horas de fulgor, firmemente defendido com êxito, bem como a povoação, pelo
seu alcaide, Mem Rodrigues de Vasconcelos, avô dum homónimo que veio a ser, em
1385. glorioso combatente da Ala dos Namoradas, na batalha de Aljubarrota. Meio
século depois daquele episódio, quando em 1369 a política peninsular de D,
Fernando concitou as iras do monarca castelhano Henrique II, e este invadiu
Portugal, outra vez o castelo de Guimarães, como padrasto de defesa da vila, e o
seu alcaide, então Gonçalo Pais de Meira, estiveram em foco, pois o invasor, que
entrara em Portugal pela fronteira do Minho e conquistara Braga, veio pôr cerco
a Guimarães. Uma vez mais, já no tempo da crise dinástica que se seguiu ao
falecimento de D. Fernando, as vicissitudes do castelo de Guimarães se inseriram
nas da Nação; e deste sucesso há conhecimento mais detalhado, porque a ele se
referiu um tanto pormenorizadamente o cronista Fernão Lopes. Após a sua
aclamação. D. João I seguiu para o norte em liquidação dos núcleos de
resistência ainda favoráveis à legalidade de poder régio da filha de D.
Fernando, e portanto as pretensões de seu marido, o rei de Castela; um deles era
o castelo de Guimarães, então a cargo de Aires Gomes da Silva. O rei chegou ali
no começo de Junho (1385), vinda do Porto com tropas e armas julgadas
suficientes, pois contava com elementos favoráveis na vila. Um desses seus
partidários, o escudeiro Afonso Lourenço Carvalho, que era o melhor e mais
honrado do lugar», ardilosamente conseguiu, numa das imediatas noites que o
guarda duma das portas do muro exterior da vila a abrisse: e logo por ela, com
breve combate, entraram o Rei e os seus homens de armas. Mas a resistência não
tardou em organizar-se, e para assaltar o chamado muro velho», decerto o do
tempo de D. Alonso III, foi necessário mandar vir do Porto mais material de
guerra, prolongando-se a luta por bastantes dias. Porém a decisão do alcaide,
puramente legalista, e assim sem o calor duma animação patriótica, acabou par
fixar-se numa proposta de tréguas, nos termos daquilo que se chamava «preitezia»,
isto é, numa promessa de rendição, se em certo prazo a entidade a que fora
prestada fidelidade não acorria com socorro. Neste caso, estabeleceu se um prazo
de 30 dias; mas o monarca castelhano, a quem foi passado o aviso, não enviou
reforços, desculpando-se com a escassez do tempo concedido. Então foram
entregues a D. João I o castelo e a vila, indo-se Aires Gomes da Silva, que «era
velho e não bem são, e levaram-no fora em colos de homens, e, a poucos dias
depois disto, morreu, aqui no Reino». Mas a história deste sucesso militar e
político não haveria de encerrar-se sem que a nimbasse uma aureola sentimental.
Gonçalo Marinho, que fora o emissário enviado a Castela, estava noivo duma filha
de Aires Gomes da Silva; porém quando a mãe da noiva, após a derrota do marido,
se acolheu a Castela, seu irmão, Pedro Tenorio, arcebispo de Toledo, opôs-se ao
projetado casamento e consorciou-se com outro a prometida esposa de Gonçalo
Marinho. Então este, vendo afastada do seu lar aquela que sonhara lhe fosse nele
companheira. «fez-se frade de São Francisco, e assim acabou sua vida». Estava-se
então nos primórdios do uso de artilharia, cujos primeiros tiros, os dos (trons)
castelhanos, se ouviram pouco depois. na batalha de Aljubarrota. Esta nova arma,
ainda inoperante contra as rijas couraças castelejas, não tardaria a ser-lhes
inimigo respeitável. Por outro lado, a Guerra da Independência travou-se em
sectores diferentes dos campos vimaranenses; e mesmo ela já antes do alvorecer
de Quatrocentos podia considerar se praticamente finda. Assim, o castelo de
Guimarães, como muitos outros, conheceu desde então o ocaso da sua gloriosa
existência, pouco a pouco, no decurso dos séculos XVI a XIX o influxo dos tempos
e o ignaro desrespeito dos homens algum tanto lhe macularam a integridade, até
que o restauro levado a cabo há tempo logrou restituir a essas muralhas e
torres, onde ainda repercute o eco de épicas lutas, toda a sua prístina
grandiosidade, toda a sua severa e majestosa beleza.
Em volta deste castelo existe todo uma áurea de prestígio honra, emoção e
orgulho. A tudo isto há a acrescentar a beleza da paisagem e a obra de arte da
arquitetura feita na pedra. Foi esta a terra natal de Afonso Henriques que viria
a ser o primeiro Rei de Portugal.
D. Afonso
Henriques
Cognominado "o
Conquistador", foi o primeiro rei de Portugal,
governando de 1128 a 1185. Filho de D. Henrique de Borgonha
e de D. Teresa de Aragão, nasceu provavelmente em Guimarães
(embora Viseu seja também um local apontado para o seu
nascimento) em finais de 1108 (ou primeiros meses de 1109) e
faleceu em 1185. Casou em 1146 com D. Mafalda, filha de
Amadeu II, conde de Moriana e Sabóia. Após a morte de D.
Henrique, D. Teresa ficou à frente dos destinos do Condado
Portucalense, sendo influenciada politicamente pela família
Peres de Trava. O jovem infante tomou então uma posição
política oposta à de sua mãe, sob a direção do arcebispo de
Braga D. Paio. Ter-se-á armado cavaleiro no dia de
Pentecostes de 1122, por suas próprias mãos, na catedral de
Zamora. Em Setembro de 1127 D. Afonso VII invadiu Portugal e
cercou o Castelo de Guimarães, onde se encontrava o infante.
Depois de D. Afonso Henriques ter reafirmado a sua lealdade
perante Afonso VII, rei de Leão, este desistiu de conquistar
a cidade e levantou o cerco. Feitas as pazes com Afonso VII,
a posição de D. Afonso Henriques e dos nobres que o
acompanham volta-se contra D. Teresa e a família Trava. O
conflito só viria a ser sanado com a batalha de S. Mamede,
que teve lugar a 24 de Junho de 1128 nos arredores de
Guimarães, tendo saído vitoriosas as hostes de D. Afonso
Henriques. A partir desta data passou o infante a governar o
condado. Depois de ter resolvido as escaramuças na fronteira
com a Galiza e assinado tréguas de dois anos com Afonso VII,
voltou-se para a fronteira meridional, tendo fundado em
finais de 1135 o castelo de Leiria, que viria a ser de
importância fundamental para a reconquista. Novamente as
atenções de D. Afonso Henriques se voltaram para a fronteira
setentrional, só que em simultâneo os muçulmanos tomaram
Leiria. Tendo firmado novamente a paz com Afonso VII, D.
Afonso Henriques acorre ao sul, onde defrontou os muçulmanos
na Batalha de Ourique. Esta famosa batalha viria a ser
origem de lendas e exageros, não se sabendo ainda hoje com
exatidão o local onde se terá travado. Uma certeza há, no
entanto: a partir daqui começou D. Afonso Henriques a
intitular-se rei. D. Afonso Henriques iniciou então uma nova
fase na sua política de aproximação à Santa Sé, da qual se
declarou vassalo em 1143. O papa, contudo, limitou-se a
tratá-lo por Dux. Por sua vez, D. Afonso VII reagiu
mal a esta posição de D. Afonso Henriques e não lhe
reconheceu o título de rei. A reconquista prosseguiu, no
entanto, e D. Afonso Henriques não perdeu a primeira
oportunidade que se lhe deparou para conquistar Santarém e
Lisboa. A primeira foi tomada de assalto em Março de 1147, o
cerco da segunda foi, todavia, demorado e difícil, tendo
sido importante a ajuda proporcionada pela expedição de
cruzados que se encontrava de passagem pelo nosso litoral. A
cidade só veio a render-se em 24 de Outubro desse mesmo ano.
Após estas conquistas, a atividade militar abrandou, pois
era altura de procurar povoar e organizar o território e de
incrementar a política de autonomia da Igreja portuguesa
junto da Santa Sé. O principal obreiro desta política foi D.
João Peculiar, arcebispo de Braga. Com a morte de Afonso
VII, os seus dois filhos entenderam-se para submeter D.
Afonso Henriques. Porém, a morte de Sancho pouco tempo
depois veio alterar o panorama peninsular. Parece que terá
então Fernando II reconhecido D. Afonso Henriques como rei
de Portugal a troco do seu reconhecimento como rei de toda a
Espanha. Pensa-se, contudo, que a fronteira meridional
continuava a ser o Tejo. Compreende-se assim a inquietação
que causava ao rei de Leão a ação de Geraldo no Alentejo,
tanto mais que as conquistas infletiam cada vez mais para
leste. Tendo ido D. Afonso Henriques em auxílio de Geraldo
em Badajoz, aproveitou Fernando II um acidente em que o
nosso rei partiu uma perna para o aprisionar. A liberdade só
foi restituída a troco dos territórios tudenses, não sendo,
no entanto, contestadas as conquistas a oeste de Badajoz. Os
muçulmanos passaram então a tomar a iniciativa, tendo
cercado em Santarém o próprio rei de Portugal após terem
reconquistado todo o Alentejo. D. Afonso Henriques foi
auxiliado pelo rei de Leão, que, como rei das Espanhas, não
podia deixar de se considerar obrigado a intervir, vindo a
ser assinadas tréguas com os muçulmanos. A maioridade de
Afonso VIII de Castela, em 1179, tornou a posição de D.
Fernando II insustentável como rei das Espanhas. Desta
forma, pressionado por diversos campos, veio a ceder,
reconhecendo assim definitivamente a autonomia política de
Portugal. Tanto mais que, pela Bula "Manifestis Probatum" de
23 de Maio desse mesmo ano, o papa Alexandre III conferiu a
D. Afonso Henriques o direito de conquista de terras aos
muçulmanos sobre as quais outros príncipes cristãos não
tivessem direitos anteriores, e foi nesta bula que, pela
primeira vez, D. Afonso Henriques foi designado como rei.
Após o incidente de Badajoz, a carreira militar de D. Afonso
Henriques praticamente terminou. Dedicou a partir daí quase
toda a sua vida à administração dos territórios com a
coregência do seu filho D. Sancho. Procurou fixar a
população, promoveu o municipalismo e concedeu forais.
Contou com a ajuda da ordem religiosa dos Cistercienses para
o desenvolvimento da economia, predominantemente agrária.
Não podemos também deixar de referir o papel que as ordens
religiosas militares, dos Templários, dos Hospitalários e de
Sant'Iago, tiveram na reconquista. D. Afonso Henriques
retribuiu esses serviços com avultadas concessões. D. Afonso
Henriques faleceu a 6 de Dezembro de 1185 após um governo de
mais de 57 anos. Foi sepultado na Igreja de Santa Cruz de
Coimbra, onde ainda hoje permanecem os seus restos mortais.
Cidade de
Braga
História da
Cidade de Braga
A ocupação
humana da região onde se integra o município de Braga
remonta a milhares de anos, estando documentada por
vestígios que adquirem monumentalidade a partir do período
megalítico. Na época correspondente à Idade do Ferro,
desenvolveu-se a denominada cultura castreja, característica
do povo brácaro que ocupava estrategicamente sítios
fortificados nos pontos altos do relevo. O processo de
romanização iniciou-se por volta do ano 200 A.C.,
consolidando-se a partir dos primórdios da nossa era, com a
fundação da primeira cidade de Braga - Bracara Augusta. A
partir do século V, as invasões bárbaras (povos: Suevo e
Visigodo), trouxeram à região profunda conturbação que se
prolongou com os Árabes até finais do século VIII, só se
iniciando o processo reorganizativo nos finais do século
seguinte. Cerca de 1070, D. Pedro, primeiro Bispo de Braga,
reorganiza a Diocese, conhecendo a cidade e a área
envolvente um clima de franco fortalecimento das suas
estruturas fundamentais. A urbe vai-se desenvolvendo em
torno da Catedral circunscrita ao núcleo amuralhado e
sucessivamente fortificado ( D. Henrique, D. Dinis e D.
Fernando), não sofre significativa expansão. Braga no século
XVI, é uma cidadela que vive à margem dos ventos dos
descobrimentos e do "progresso" consagrado na época. D.
Diogo de Sousa (insigne Arcebispo), homem de ideias
renascentistas, vai transformá-la de tal forma, que se pode
falar em refundação, sobrevivendo a nova Bracara, quase
inalterada, até ao século XIX. Ao período vivido entre
meados de quinhentos e as primeiras décadas de setecentos,
associa-se um fervoroso clima de religiosidade, patente na
afluência de comunidades religiosas que vão construir
Mosteiros, Conventos e Igrejas, apagando sucessivamente os
edifícios de traça romana e influenciando a própria
arquitetura civil através do recobrimento das fachadas do
casario com gelosias. No século XVIII, Braga ressurge e
brilha nas floreadas curvas do Barroco, protagonizadas pelos
Arcebispos da Casa de Bragança e pelo génio artístico de
André Soares (Arquiteto 1720- 1769), que lhe conferiram para
a eternidade, um legado excecional, verdadeiro Ex-Libris do
Barroco em Portugal. No final do século assiste-se com
Carlos Amarante (Engenheiro e Arquiteto 1742-1815) à
transição para o Neoclássico. A centúria seguinte traz
consigo focos de conflito e destruição (invasões francesas e
lutas liberais), afluindo a partir da segunda metade, o
dinheiro e o gosto dos brasileiros (emigrados portugueses
regressados do Brasil). Introduzem-se na cidade algumas
"melhorias" a nível de infraestruturas e equipamentos e o
centro cívico deixa a tradicional zona da Sé, passando para
o Jardim Público, hoje chamado Avenida Central. A viagem em
curso pelo século XX, consolidou e implementou novos
instrumentos de desenvolvimento (água, saneamento,
transportes, etc.), importando mencionar em termos de
património construído o edifício do Teatro Circo e o
conjunto de fachadas que definem o topo nascente da Avenida
da Liberdade. O período pós-revolução traduziu-se num enorme
crescimento a todos os níveis (demográfico, económico,
cultural, urbanístico), convertendo-se Braga, muito
provavelmente na terceira cidade do País. Ao nível das
intervenções arquitetónicas, há que referir ainda, o Estádio
Municipal de Braga, o Teatro Circo, o Mercado Municipal do
Carandá e o Palácio de Exposições e Desportos, edifícios
considerados importantes no contexto da arquitetura
portuguesa contemporânea. Por outro lado, assiste-se a uma
atuação permanente e sensibilizada em prol do magnífico
património arquitetónico bracarense. O ano 2000 foi o ano
comemorativo do bimilenário da cidade de Braga. O programa
organizado em torno de tão notável evento pretendeu lançar
um olhar às raízes da cidade dos Arcebispos. Esta
contemplação do passado tencionou evocar a multiplicidade de
acontecimentos e figuras marcantes ao longo destes dois
milénios de história de uma cidade que caminha para a
modernidade, procurando afirma-se na sua singularidade
regional e nacional.
Antigo Paço Arquiepiscopal Barcarense
Extraordinário conjunto, composto por três corpos de características e
épocas distintas. A ala nascente (voltada ao Jardim de St.ª Bárbara) em
estilo Gótico, remonta ao século XVI, a ala poente (voltada à Praça do
Município) em estilo tardo barroco, foi erigida no século XVIII, ala Sul
que define o belíssimo Largo do Paço, integra edifícios mandados
construir por diferentes arcebispos nos séculos XVI, XVII, XVIII.
Casa dos Coimbras A atual Casa dos Coimbras, como é vulgarmente conhecida,
tem nas suas origens uma construção que já em 1471 servia de residência
ao deão D. Martim Anes, em 1477 ao bispo Titopolis D. Gil e em 1502 ao
protonotário apostólico D. Luís Gonçalves Farto. Tendo sido adquirida em
1505 por João de Coimbra, doutor em degredos natural de Lisboa, sofreu
desde então várias reconstruções, a primeira das quais levada a cabo por
artistas biscainhos presentes em Braga para a execução da capela-mor da
Sé Catedral. Restam hoje da primitiva casa quinhentista, algumas janelas
em estilo Manuelino, que sobreviveram à demolição ocorrida em 1906.
Palácio do Raio
Construído em 1754, é um dos mais notáveis edifícios de arquitetura
civil da cidade, em estilo barroco joanino, e deve o seu nome a Miguel
José Raio, visconde de São Lázaro, que adquiriu o palácio em 1834.
Atualmente, o edifício alberga serviços da Santa Casa da Misericórdia de
Braga.
Santuário do Bom Jesus do Monte
Sítio magnifico onde se conjuga a obra da natureza com a notável obra
do homem, (vasta, diversificada e absolutamente fabulosa), numa das
maiores intervenções tardo barrocas do País desenvolvida por André
Soares. Afirma-se como uma referência obrigatória do Barroco europeu,
que evidência a própria evolução da arte-bracarense, consubstanciada na
introdução do neoclássico por Carlos Amarante. Importa ainda referir e
viajar no funicular, movido a água (finais do século XIX), peça viva da
arqueologia dos transportes portugueses.
Imóvel de interesse público, visitável durante todo o dia. Existem
autocarros que partem do centro da cidade de meia em meia hora (aos dez
e aos quarenta minutos).
Sé Catedral de
Braga
Segundo a tradição, a diocese bracarense foi criada no
século III; mas a História só a confirma a partir do ano de
400. O atual edifício está implantado sobre uma outra
construção religiosa que, possivelmente, foi a anterior
catedral. Foi com o bispo D. Pedro (1070-1093) que se
iniciou a obra da atual Sé. Depois dele quase todos os seus
sucessores quiseram deixar a sua marca, fosse em pequenas
alterações ou em obras de vulto. O Cabido, a quem pertencia
o governo da Catedral, também imitou os arcebispos nos
períodos em que se verificou Sé vacante. É por essa razão
que do primitivo edifício pouco mais nos resta do que a
implantação e o projeto geral, além de alguns curiosos
pormenores decorativos, como as duas arquivoltas da
primitiva porta principal românica, lavrados com cenas da
gesta medieval da Canção da Raposa. Apresentando duas torres
na fachada, o que a aproxima das grandes catedrais do
românico português, foi, com o correr dos séculos, muito
modificada: uma galilé de finais do século xv, fechada no
século xviii pela belíssima grade de ferro que o arcebispo
D. Diogo de Sousa (1505-1532) fizera para proteger a
capela-mor; e, ainda na frontaria, a grande pedra de armas
do arcebispo D. Rodrigo de Moura Teles (1704-1728), a
edícula e o coroamento das torres, colocados no primeiro
quartel de Setecentos. O interior, de três naves, transepto
e cabeceira com cinco capelas, é profundamente austero. No
período barroco abriram-se grandes janelas, transformaram-se
os altares, cobriram-se de estuques e pinturas todas as
paredes; a Sé tornou-se uma festa, um apelo aos sentidos. E
assim se manteve até meados do século xx quando as obras
realizadas pela Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos
Nacionais, nas décadas de 30 e 50, restituíram o suposto
prospeto medieval do templo, segundo os critérios de
restauro então em voga. Exceto a capela-mor, todas as
capelas da cabeceira mantiveram as alterações de arquitetura
e retábulos que tinham recebido no século xviii. No subsolo
da capela-mor conservam-se ainda vestígios arqueológicos do
primitivo templo paleocristão e altomedieval. Em 1509, D.
Diogo de Sousa patrocinou a construção de uma nova
cabeceira, traçada pelo arquiteto João de Castilho, que ali
deixou um original testemunho da arquitetura do tardo-gótico
nacional, bem visível na sua belíssima abóbada de combados.
Ao arcebispo ficou igualmente a dever-se um perdido retábulo
de pedra e o frontal do altar, tendo sabido conservar a
magnífica imagem francesa de Santa Maria de Braga, do século
xiv. O desenho das Capelas do transepto foi influenciado
pelo da sacristia, tendo sido, todas elas, alteradas nos
inícios do século xviii pelo mestre pedreiro Manuel
Fernandes da Silva. Deve salientar-se o revestimento
azulejar da capela de São Pedro de Rates, pintado em 1715
por António de Oliveira Bernardes, com representações de
cenas da vida do santo, e a finíssima talha neoclássica da
Capela do Santíssimo Sacramento, bem como o seu magnífico
frontal, entalhado em 1718 pelo mestre Miguel Coelho e
inspirado num quadro de Rubens, o Triunfo da Igreja. A
sacristia, riscada pelo arquiteto régio João Antunes, em
1698, foi executada pelos pedreiros Pascoal Fernandes e seu
filho Manuel Fernandes da Silva. A sua arquitetura foi de
uma intensa novidade para a Braga daquele tempo, mas a
cidade não soube continuar nessa senda, voltando facilmente
para os velhos valores maneiristas. No coro alto o cadeiral
e os órgãos, de talha dourada, são obras excecionais de
conceção e execução. O cadeiral (1737) é devido ao
entalhador e arquiteto portuense Miguel Francisco da Silva.
As caixas dos dois órgãos (1737-1739) foram entalhadas e
esculpidas por Marceliano de Araújo numa incrível profusão
dos elementos mais característicos da talha joanina,
abundando as figuras esculturadas, sátiros e golfinhos. A
parte mecânica ficou a dever-se ao mestre organeiro galego
Frei Simão Fontanes. Todo o conjunto é dominado pelos
Esponsais da Virgem, composição fresquista pintada na mesma
campanha de obras por Manuel Furtado de Mendonça. O
claustro data dos inícios do século xix; está no lugar de um
outro, gótico, que ameaçava ruína em finais de Setecentos.
Estabelece ligação com o Tesouro da Sé e com as Capelas de
D. Lourenço Vicente, do nome do arcebispo que a reconstruiu
– também conhecida por Capela dos Reis – e de Nossa Senhora
da Piedade. Na primeira, de estilo gótico, além do túmulo do
arcebispo, guardam-se os túmulos dos condes D. Henrique e D.
Teresa. Na Capela de Nossa Senhora da Piedade, fundada por
D. Diogo de Sousa em 1513, guarda-se o túmulo do prelado,
obra de artista coimbrão desconhecido, talvez o mesmo que
lavrou os túmulos dos pais de D. Afonso Henriques, dispostos
na capela anterior. A imagem original da Senhora do Leite,
obra de outro artista coimbrão, o desconhecido Mestre dos
Túmulos Reais, está agora aqui recolhida. E merecem ainda
atenção alguns dos retábulos, como o de Nossa Senhora da Boa
Memória, em estilo rococó. Junto à porta lateral que dá para
a Rua do Souto localiza-se o Claustro de Santo Amaro, onde
subsiste um absidíolo, talvez pertencente ao projeto
original da Sé, cuja abóbada está coberta por uma pintura
dos finais do século xv.
Outras
duas capelas, de implantação autónoma, fazem ainda parte do
conjunto monumental. A Capela de São Geraldo foi
inicialmente construída no século xii. Sofreu as mais
variadas alterações, sobretudo no período barroco, tendo
sido a sua fachada totalmente refeita durante a grande
campanha de restauro dos anos 40. O espaço interior,
remodelado pelo arcebispo D. Rodrigo de Moura Teles, que
aqui colocou o seu túmulo, tem as paredes recobertas de
azulejos, atribuíveis a António de Oliveira Bernardes. A
Capela da Glória é obra do arcebispo D. Gonçalo Pereira
(1236-1248). As paredes laterais ostentam uma decoração
geométrica organizada em enormes quadrados, sem dúvida um
dos mais antigos testemunhos de pintura a fresco
subsistentes entre nós. O túmulo do arcebispo, aqui
colocado, foi contratado, em 1334, pelo coimbrão Mestre Pero
e pelo lisboeta Telo Garcia. Ao lado da Catedral, com acesso
a partir do claustro, encontra-se o Tesouro da Sé, criado em
25 de Março de 1930, o qual recolhe múltiplas peças reunidas
ao longo dos tempos.
História da Cidade de Vila Nova de Famalicão
Vila Nova de Famalicão
nasceu para a história em 1 de Julho de 1205, com o Foral de
D. Sancho I. Alguns historiadores referem que a povoação
hoje denominada Vila Nova de Famalicão já era, nos alvores
da nacionalidade portuguesa, sede administrativa e judicial
da Terra de Vermoim. Vila Nova de Famalicão é hoje uma terra
frequentemente mencionada como um dos principais centros
culturais, comerciais e industriais do país. Situada
estrategicamente entre as cidades de Braga, Guimarães e
Porto, Famalicão é uma cidade de referência no Baixo Minho e
no Vale do Ave. Com uma rica e variada tradição cultural que
remonta aos tempos pré-históricos, a comunidade famalicense
tem-se afirmado com uma personalidade própria e bem
definida. Os castros no cimo dos montes, as pontes que
abraçam as margens dos rios, as igrejas que refletem
espiritualidade, a nobreza das casas solarengas, os usos e
os costumes do amanho da terra, a riqueza do artesanato e da
gastronomia são um testemunho vivo de uma comunidade que
constrói o futuro a cada momento. Liderando um dos polos de
desenvolvimento do Vale do Ave, a cuja Associação de
Municípios pertence, o concelho de Vila Nova de Famalicão,
com cerca de 140.000 habitantes, é uma terra de encantos e
oportunidades. Com uma localização privilegiada no noroeste
português, entre o Porto e a Galiza (Espanha), o Município
de Vila Nova de Famalicão é servido por um cruzamento de
autoestradas - A3 (Porto-Vigo) e A7 (Guimarães-Póvoa de
Varzim) - e por um serviço de transportes ferroviários de
vanguarda, com ligações diretas a Braga, Guimarães, Porto,
Vigo, Coimbra, Lisboa e Algarve. Daí a força da sua
indústria diversificada e a dinâmica socioeconómica
característica do Município. Vila Nova de Famalicão acolhe a
sede das maiores e melhores empresas do país em vários
sectores da indústria: no têxtil, nos pneus, no vestuário,
no sector alimentar, na construção de obras públicas...
Terra do escritor Camilo Castelo Branco, Vila Nova de
Famalicão é um concelho a conhecer. Nomeadamente o dinamismo
das suas associações desportivas, a sua oferta cultural
multifacetada - que tem o seu máximo expoente na Casa das
Artes -, o seu Turismo rural e religioso, as suas festas e
romarias, os seus restaurantes, o seu património cultural e
industrial...
História da Cidade de Barcelos
Localizada
na margem direita do rio Cávado, é sede de
Concelho e é nesta qualidade que abraça as
freguesias de Barcelos "Santa Maria Maior",
de Vila Boa e Arcozelo a Norte, Barcelinhos
a Sul, Tamel de S. Veríssimo a Nascente e
Vila Frescainha S. Martinho a Poente. A
proximidade do rio Cávado ditou a história
desta cidade que, desde a época romana, era
o ponto de atravessamento preferido dos
viandantes. Passava por aqui uma importante
via que, segundo Ferreira de Almeida, «seria
uma estrada que derivava da via Braga -
Porto. (...) cruzava o Cávado em Barcelos e,
continuando para noroeste, iria entroncar na
via per loca marítima». A partir deste
local e para Norte, seguiria outra via em
direção a Ponte de Lima. A passagem das
gentes por estas vias e a proximidade do rio
viriam, ainda que a longo prazo, a
determinar o processo de fixação humana.
Alguns vestígios encontrados promovem a
ideia de que na origem da cidade estariam as
vilas agrá¡rias e que esta teria nascido da
confluência de atividades como a almocrevia
e o comércio. Aliás, como consequência
destas atividades, em meados do século XIII,
surge uma feira que tornou Barcelos num
palco de atrações de uma vasta zona. Os
almocreves dinamizavam Barcelos que
funcionava como um ponto estratégico de
ligação com cidades como Porto, Braga, Viana
do Castelo e Ponte de Lima. A questão
relativa à fixação das pessoas tem
vindo a suscitar inúmeras teorias que tentam
dar resposta à questão de quando se
iniciou este processo. Apesar da ausência de
documentos escritos e vestígios
arqueológicos que atestem com clareza uma
data provável, o Professor Ferreira de
Almeida avança com a ideia de que a fixação
remonta à época alti-medieval, com o
nascimento da nacionalidade, contrariando as
teorias que sugeriam um processo de ocupação
romana ou até mesmo anterior.
Quanto à extensão geográfica da cidade,
sabemos que a presença do rio e possíveis
subidas das águas empurraram as populações
para a zona nascente, que oferecia melhores
condições para uma fixação permanente, além
de que a sua cota superior possibilitava um
maior domínio do território. Do Foral de
Barcelos, concedido por D. Afonso Henriques
provavelmente entre 1156 e 1169 (sendo o
mais remoto pergaminho da freguesia), nada
se consegue apurar quanto à extensão
do termo, no entanto, tudo nos leva a crer
que se tratava de um povoado pequeno, mas
detentor de uma certa importância, já que
desde 1177 contava com uma gafaria -
instituição hospitalar para leprosos - à
entrada da vila, no local da Fonte de Baixo,
a qual atingiu o seu apogeu na centária de
trezentos. Segundo o Tombo de 1498, as
terras pertencentes à gafaria
estendiam-se desde a «Facha (Ponte de Lima),
a norte, até S. Miguel das
Marinhas, junto ao mar, e Minhotães, a
sul...». As Inquirições régias de
1220 referem-se a Barcelos como uma
Freguesia do Julgado de Neiva, com o orago
de Santa Maria Maior, e as Inquirições de
1258 fornecem algumas informações preciosas
sobre a vila à qual é já atribuído um
núcleo urbano, bastante arruado, com uma
igreja paroquial e o ougue, circundado por
arredores como os de Cimo de Vila, de Fundo
de Vila e do Vale. Em 1258, começava a
desenhar-se a estrutura da cidade, cuja
mancha urbana se concentrava na zona dos
atuais largos do Apoio e Dr. Martins Lima. O
principal armamento seria o que ligava o
ponto de atravessamento do rio à via
que se dirigia a Ponte de Lima e Viana do
Castelo. O Largo do Apoio ou do Poyo teria,
assim, sido o primeiro centro cívico da
vila e, apesar de não haver documentos que o
atestem, a casa do alcaide, localizada nesse
largo, atual casa dos Carmonas, poderia ter
sido a primeira sede da administração local.
Refira-se ainda que, na Inquirição de D.
Afonso III, surgem já nomes e locais ainda
subsistentes, tais como Pessegal, Casal de
Niqui (que o tempo se encarregou de
transformar em Casal de Nil) e outros já
desaparecidos, como Cimo de Vila e Barroco.
Aquando da passagem à condição de vila
condal, esta urbe já se encontrava bem
formada, nas suas linhas principais. No
final do século XV, era já uma realidade na
urbe, o centro cívico com as sedes das
principais instituições, as principais
artérias estruturando o burgo intramuros e o
campo da feira. Relativamente ao carácter
administrativo, sabemos que Barcelos começou
por ser Vila Régia, em resultado da Carta de
Foral concedida por D. Afonso Henriques. Ao
permanecer sob a alçada real, Barcelos
ficaria sujeita a legislação e tributação
específicas. Esta condição de vila régia
seria alterada em 1298, no reinado de D.
Dinis, que num gesto de recompensa para com
o mordomo-mor e diplomata João Afonso Telo
de Meneses, Senhor de Albuquerque, pelas
diligências por este efetuadas para a
definição das fronteiras, aquando do Tratado
de Alcanices, o nomeia Conde da Vila de
Barcelos. Assim, João Afonso passa a ser o
primeiro conde vitalício de Portugal, com
direito de transmissão dos poderes aos seus
descendentes. A passagem da condição de Vila
Régia a Vila Condal teria uma influência
crucial no evoluir da urbe que, desde logo,
se destacou das povoações vizinhas, já que
adquire um estatuto e jurisdição autónomas.
Está dado início a um processo de contínua
evolução da Vila de Barcelos, que
beneficiou, desde então, do lugar de relevo
que os seus representantes - os condes -
detinham nas Cortes. 1° Conde de Barcelos -
1298 - Conde João Afonso Teles de Meneses -
Senhor de Albuquerque. 3° Conde de Barcelos
- D. Pedro (filho bastardo de D. Dinis). 7°
Conde de Barcelos - 1385 - D. Nuno Alvares
Pereira - Condestável do Reino. 8° Conde de
Barcelos - 1401 - D. Afonso, recebe o
condado como dote de casamento com D.
Beatriz, filha de D. Nuno Álvares Pereira.
9° Conde de Barcelos - D. Fernando I. 10°
Conde de Barcelos - 1478 - D. Fernando II.
12° Conde de Barcelos - 1532/1563 - D.
Teodísio. No ano de 1640, Barcelos
volta à condição de Vila Régia, na sequência
da ascensão da família de Bragança à
realeza, obtendo das grandes privilégios,
entre os quais a concessão, por dois ou três
anos, de um imposto à real de água»
destinado à realização de obras, tais como a
renovação da Colegiada e do edifício da
Misericórdia, com o seu hospital e a
edificação do Mosteiro do Terço, da Igreja
da Ordem de S. Francisco e do Passeio dos
Assentos. Em 1836, na sequência da vitória
da fação liberal, foi iniciada uma reforma
administrativa, que viria a dar um duro
golpe na extensão do enorme Concelho de
Barcelos e sua Comarca, que veem diminuir a
influência que, desde há muito, possuíam
sobre outras áreas. Relativamente ao
topónimo, são indicadas várias hipóteses
como predecessoras do nome "Barcelos": as
designações "Barca coeli", Barca do
céu", ou "Barca celani" .
A Lenda
do Galo de Barcelos
Uma das mais importantes lendas
medievais do éradio popular português originaria no Caminho
de Peregrinação a Santiago de Compostela, se imortalizou na
cultura lusitana através do famoso Galo de Barcelos que de
símbolo do artesanato Barcelense se elevou ao mais
importante ícone de identidade de Portugal no Mundo. A
curiosa lenda do galo está associada ao cruzeiro medieval
que faz parte do espólio do Museu Arqueológico da cidade.
Segundo esta lenda, os habitantes do burgo andavam alarmados
com um crime e, mais ainda, com o facto de não se ter
descoberto o criminoso que o cometera. Certo dia, apareceu
um galego que se tornou suspeito. As autoridades resolveram
prendê-lo e, apesar dos seus juramentos de inocência,
ninguém acreditou. nele. Ninguém acreditava que o galego se
dirigisse a S. Tiago de Compostela, em cumprimento de uma
promessa, sem que fosse fervoroso devoto do santo que, em
Compostela, se venerava, nem de S. Paulo e de Nossa Senhora.
Por isso, foi condenado à forca. Antes de ser enforcado,
pediu que o levassem à presença do juiz que o condenara.
Concedida a autorização, levaram-no à residência do
magistrado que, nesse momento, se banqueteava com alguns
amigos. O galego voltou a afirmar a sua inocência e, perante
a incredulidade dos presentes, apontou para um galo assado
que estava sobre a mesa, exclamando: “É tão certo eu estar
inocente, como certo é esse galo cantar quando me
enforcarem”. Risos e comentários não se fizeram esperar mas,
pelo sim pelo não, ninguém tocou no galo. O que parecia
impossível tornou-se, porém, realidade! Quando o peregrino
estava a ser enforcado, o galo assado ergueu-se na mesa e
cantou. Já ninguém duvidava das afirmações de inocência do
condenado. O juiz correu à forca e viu, com espanto, o pobre
homem de corda ao pescoço. Todavia, o nó lasso impedia o
estrangulamento. Imediatamente solto foi mandado em paz.
Passados anos voltou a Barcelos e fez erguer o monumento em
louvor a S. Tiago e à Virgem.
História da Cidade de Esposende
A maior parte dos
povoados do concelho, cujo povoamento
remonta aos tempos pré-históricos, tem a sua
origem ligada ao aproveitamento agrícola dos
campos, pesca e recolha de plantas marinhas.
Admite-se que Fão seja de origem celta e
tenha constituído uma grande cidade e um
importante porto no tempo do domínio romano.
Apúlia parece ter origem romana (o seu
núcleo litoral nasceu com o aproveitamento
dos terrenos arenosos e com a pesca), da
mesma forma que se aponta como possível que
na sede do concelho. O marco histórico do
Concelho de Esposende regista-se no séc.
XVI, mais propriamente a 19 de Agosto de
1572. No entanto, o séc.XII apresenta
já alguma documentação, através da análise
das sucessivas inquirições, dando a conhecer
delimitações territoriais, pessoas que ali
moravam, mas fundamentalmente, o evoluir do
fenómeno toponímico do séc. XIII aos nossos
dias. Foi já no reinado de D. Sebastião que
este, após várias diligências dos moradores
de Esposende, entendeu elevar Esposende à
categoria de vila. Deu-lhe um termo ao redor
e criou condições geográficas e
administrativas para que se desenvolvesse
como terra autónoma. O comércio marítimo, a
construção naval fazem com que Esposende se
desenvolva urbanisticamente, atraindo nova
população e transformando-se, pouco a
pouco num grande centro piscatório e
comercial. Em 16 de Dezembro de 1886, um
Decreto Régio cria o seu Julgado Municipal,
doze anos depois, em 27 de Outubro 1898,
surge a Câmara Judicial de Esposende e, mais
tarde em 19 de Agosto de 1993, Esposende
conquista o estatuto de Cidade.
História da Cidade de Fafe
Fafe é
uma das cidades da província do Minho, do distrito de Braga
e situa-se a 32 Km a Este da Capital de Distrito, onde
possui uma área de 216,72 Km2 aproximadamente, de que fazem
parte 36 freguesias, às quais se encontram circundadas pelos
concelhos de Cabeceiras e Celorico de Basto, Guimarães,
Póvoa de Lanhoso, Felgueiras e Vieira do Minho.
Fafe é
uma jovem cidade do Minho, mas com origens antigas. Por aqui
andaram povos como os Lusitanos e os Romanos que deixaram
marcas consideráveis, hoje pontos atrativos aos visitantes.
Fafe é uma terra, pequena, mas com valor, pois possui
inúmeros monumentos e agradáveis espaços verdes. Fafe é
também conhecida pelo lema “Com Fafe ninguém fanfe”, lema
esse que apareceu quando, há muitos anos atrás, se fez
justiça a favor do Visconde Moreira de Rei. Nesse tempo,
como agora, o lema provoca um sorriso de simpatia por todos
os fafenses. Talvez por isso e por ser uma pequena cidade
que tão bem acolhe os visitantes, Fafe foi e ainda é
considerada a SALA DE VISITAS DO MINHO. Fafe é uma cidade
recente, mas que, como povoação, existe desde o Séc. XIII,
sendo apenas uma freguesia do concelho de Montelongo. Esta
freguesia desde muito cedo, iniciou o seu desenvolvimento.
Assim em 1836 torna-se sede de concelho e quatro anos mais
tarde sobe à categoria de Vila, tomando para designação o
nome Fafe. Este Topónimo surge como que por homenagem às
duas famílias mais poderosas da região ( Egas Fafe e Dom
Fafes Serafins). Durante o século seguinte a sua população
aumentou. Torna-se uma Vila que vive à base da indústria
têxtil, da agricultura e dos serviços. Em 1980 já tinha
48.000 habitantes, 36 freguesias e era uma Vila bastante
desenvolvida. Passando então, por mérito próprio à categoria
de Cidade. Fafe é agora uma terra relativamente
desenvolvida, mas que tem na memória o seu passado e as suas
origens.
História da Cidade da Póvoa de Varzim
Póvoa de Varzim é o nome da nossa
cidade. Explicá-lo representa uma aliciante viagem às suas
origens históricas ou mesmo pré-históricas pelo que sou
tentado, ao iniciá-la, a recorrer à fórmula genesíaca: no
princípio... era a terra de Varazim, ignoto Senhor que a
possuiu em tempo não menos ignoto mas, com certeza,
posterior à romanização e lhe deu o nome. Alguns achados
arqueológicos, muito expressivos em Martim Vaz (hoje, zona
desportiva) e menos na Junqueira e Vila Velha, informam-nos
da presença e da ação do homem na antiguidade. Porém, o
documento identificador do nosso território - Villa Euracini
- tem a data de 953 e pertence ao cartulário da Colegiada de
Guimarães, designado por Livro de Mumadona. A terra e,
sobretudo, o mar que a beija sussurrante e, depois, se deixa
amimar em profundo amplexo, despertaram na Idade Média o
interesse económico de fidalgos, cavaleiros e eclesiásticos,
ávidos de rendas, entre os quais se destaca a estirpe de D.
Lourenço Fernandes da Cunha, sem dúvida os mais produtivos
colonizadores do nosso território. Os seus casais
situavam-se na parte norte, numa área denominada, já no séc.
XIV, por Vila Velha. Alguns desses casais pertenceram à
Ordem Militar do Hospital e usufruíam o privilégio de
"Honra", andando a terra registada com o nome de Varazim dos
Cavaleiros e, mais tarde, Varazim de Susão. Outra parte de
Varazim, mais para sul, era terra reguenga e os casais
pagavam para o Rei tanto dos frutos da terra como do mar,
pois havia no seu porto um interessante movimento de pesca.
Foi, precisamente, a cobrança do imposto do pescado, dito
navão ou nabão, disputado pelos mordomos régios e senhorios
de Varazim de Susão, que originou a intervenção do rei a fim
de acabar com a instabilidade no território, recuperar a
renda da pesca e arrotear as terras de reguengo. Assim, em
1308, depois de arrolados os 54 casais de Varazim, mandou
El-Rei D. Dinis passar carta de Foral doando-lhes o reguengo
de Varazim de Susão, com o encargo de aí fundarem uma Póvoa,
se associarem em Conselho de Vizinhos com seu Juiz eleito e,
darem-lhe, anualmente, um foro coletivo de 250 libras e os
direitos de aportagem. Eis a origem da nossa terra e do nome
que ostenta. A Póvoa de Varzim arranca para o desafio dos
tempos voltada para a sua angra marítima que lhe garante a
subsistência e havia de ser o primeiro motor do seu
desenvolvimento e prosperidade. Desafio dos tempos...
disse... para recordar os principais lances do evoluir
histórico do nosso burgo. Em 1312, o rei D. Dinis doou a
Póvoa de Varzim ao filho bastardo Afonso Sanches de
Albuquerque e este, por sua parte, meteu-a no património do
mosteiro de Santa Clara (1318) que acabara de fundar em Vila
do Conde. O domínio do senhorio eclesiástico através da
Abadessa e seus ministros, chegou a ser total e durou o
melhor de duzentos anos. Ainda ele decorria quando D. Manuel
mandou dar foral novo à Vila (1514), reformando o antigo na
parte fiscal e provendo-o de mecanismos alternativos à
jurisdição do mosteiro. Suspeita-se que estes foram
acionados a partir de 1537, data em que as jurisdições do
mosteiro são postas em arrematação e a dependência das
justiças locais passaria para o desembargo do Paço e seu
Corregedor na comarca do Porto. A pequena Vila da Póvoa, que
não contaria mais de quinhentos habitantes, sente o ar
benéfico que percorre o litoral do país, envolvido no
vultoso tráfico das descobertas e conquistas, e assume a
feição de burgo com a sua Casa do Concelho, Praça Pública e
Pelourinho, onde os Homens Bons da terra e do mar jamais se
aquietarão em projetos destemidos. Um deles consistiu na
emancipação religiosa da paróquia de Argivai, criando-se a
Vigararia de Santa Maria de Varzim com sede na ermida da
Mata, que teve de ser ampliada e preparada para o efeito. Aí
pregou e administrou o crisma, em 1560, o santo Arcebispo
Frei Bartolomeu dos Mártires. De resto, o séc. XVI deu à
terra aquela estrutura administrativa, social e religiosa
que permitiu vencer algumas crises difíceis que o século
seguinte lhe reservaria. Refiro-me, em particular, às
onerosas questões territoriais com a Câmara de Barcelos. É
na segunda metade do séc. XVII que se deteta a existência de
uma pequena comunidade piscatória dedicada à pesca do alto
para o negócio da salga que começa a desenvolver-se e a
florescer. No século seguinte, a Póvoa de Varzim vai
transformar-se na maior praça de pescado do norte do país.
Um autêntico exército de almocreves batia, diariamente,
caminhos e veredas fazendo penetrar nas Províncias do
interior o saboroso peixe da Póvoa. Os seus pescadores eram
conhecidos em toda a costa como os mais laboriosos,
expeditos e sabedores dos mares. O destemor com que
enfrentavam a sua perigosa barra criou a figura lendária do
"poveiro". Aumentadas as pescas, o tecido urbano ganha uma
dimensão nova e criam-se zonas ribeirinhas de domínio, quase
absoluto, da pescaria. O dinheiro entra com abundância no
cofre das sisas; o comércio engrossa; a indústria da salga
prospera e o bem estar da população reflete-se no
levantamento de três edifícios religiosos: Matriz (1743),
Lapa (1772) e Sra. das Dores, esta iniciada em 1776 mas só
concluída no século seguinte. Funda-se a Santa Casa da
Misericórdia (1756) e o Corregedor Almada obtém para a Póvoa
uma provisão régia (1791) que lança os fundamentos de uma
nova urbe: praça pública unindo a parte alta, mais antiga, à
parte ribeirinha; Casa da Câmara, quadrando o norte da
praça; Aqueduto das águas livres com o seu tanque e chafariz
na praça e uma "Caldeira" no mar para abrigo dos barcos.
Embelezada a vila e protegido o trabalho, a Póvoa não mais
cessa de crescer e muitos a procuram, também, para o
benefício dos "banhos do mar": mal se vislumbra, ainda, o
sucesso deste facto socioeconómico que iria fazer da Póvoa
de Varzim, já na 2ª. metade do séc. XIX, a grande estância
balnear frequentada pela melhor fidalguia do aquém Douro.
Nos seus belos salões misturam-se graves figuras da
política, das artes e das letras com a burguesia fruste
criada pela Regeneração e ourados "brasileiros" de
torna-viagem. É a época do café-concerto e da tavolagem
secreta que a ligação ferroviária Porto-Póvoa (1875) e a
linha americana Vila do Conde - Póvoa (1874) vão animar
consideravelmente. A pesca, os banhos de mar e o jogo
constituem, agora, as bases do progresso da Póvoa de Varzim,
o eixo da sua evolução económica e o centro de todas as
paixões políticas. A atividade piscatória ancora-se, hoje,
em seguro porto de abrigo; a praia de banhos equipa-se com
modernas e atraentes estruturas; o jogo, regulamentado e
oficial, encontra-se no seu monumental casino,
interiormente, de uma beleza extasiante e animou de
constante e multiforme criação artística. A cidade da Póvoa
de Varzim fixou-se como ponto capital da região turística da
Costa Verde."
História da Cidade de Vila do Conde
Vila do Conde é um dos mais antigos
termos do norte de Portugal. As suas origens estão para lá
da fundação do território português, remontando ao ano de
953 o primeiro documento escrito que refere
Villa de Comite, numa
carta de venda de bens, por Flamula Deo-Vota, ao Mosteiro de
Guimarães. As origens ancestrais desta cidade costeira
desenvolvem-se desde o Castro de S. João Baptista, local
onde, em 1318, D. Afonso Sanches e D. Teresa Martins
fundariam o Mosteiro de Santa Clara, monumento que,
restaurado e ampliado no século XVIII, é um dos
ex-libris de Vila do Conde. Durante o século XVI,
particularmente, Vila do Conde atingiu o seu apogeu
comercial e marítimo com a construção naval, fortemente
ligada aos Descobrimentos, cuja tradição se mantêm até aos
dias de hoje, e com o seu porto e alfândega, constituindo um
entreposto comercial de relevo na história de quinhentos. A
passagem de D. Manuel por Vila do Conde, numa peregrinação a
Santiago de Compostela, em 1502, seria um acontecimento
largamente marcante para a então Vila, uma vez que deu o
impulso que faltava para a construção da Igreja Matriz, a
Praça Nova e Paços do Concelho e a abertura de novas
artérias na malha urbana. Atualmente, Vila do Conde procura
manter a dinâmica de uma cidade direcionada para o futuro e,
exemplo disso, são as últimas intervenções que vêm a
acontecer nos principais pontos da cidade. Assim, focamos a
requalificação da zona envolvente ao Mosteiro de Santa
Clara, a intervenção na zona do Cais da Alfândega, com a
construção de um ancoradouro de barcos de recreio, a
construção e musealização de uma replica de uma nau
quinhentista, entre outros, bem como na frente urbana
marítima no âmbito do Programa Polis, que procurou
reestruturar este espaço urbano com vista ao usufruto das
condições naturais que a proximidade do mar permite. A nível
arquitetónico, Vila do Conde oferece um vasto leque de
monumentos a visitar, como o Mosteiro de Santa Clara, a
Capela do Socorro, a Igreja Matriz, o Forte de S. João
Baptista, a ermida da Senhora da Guia, cuja construção
aponta para o século X / XI, casas solarengas, o aqueduto,
citando apenas alguns exemplos, cuja preocupação em
preservar e recuperar tem sido uma constante. Cidade do
distrito do Porto, é sede de concelho composto por 30
freguesias, que reúnem entre si uma série de características
que fazem de Vila do Conde uma terra singular. Tem cerca de
74000 habitantes. Os 18 km de praias conjugam-se com a
ruralidade das freguesias mais a interior, sendo visíveis
legados da pré-história, como o Castro de S. Paio, ou a
Cividade de Bagunte, exemplares de arquitetura do românico,
como a igreja de Rio Mau, as casas e solares rurais e
brasonados ou a tradição monástica de Junqueira, Azurara ou
Vairão. Como anfitriã de uma das mais prestigiadas feiras de
artesanato, também esta é uma característica marcante em
Vila do Conde. Desde a tradição das mantas de trapos, as
camisolas de lã, os trabalhos em ferro forjado, a escolha é
vasta, com particular relevo para as rendas de bilros, de
tradição secular. Na gastronomia, destaque para a doçaria
conventual, que a sabedoria das freiras das casas
conventuais legou. É nos meses de Verão que aqui decorrem
eventos de prestígio, como o Festival Internacional de
Curtas Metragens, a Feira Nacional de Artesanato, a Feira da
Gastronomia, a Feira das Atividades Agrícolas e as Festas a
S. João, padroeiro de Vila do Conde. De 4 em 4 anos, as
Festas do Corpo de Deus ganham um significado particular, já
que as ruas são decoradas com tapetes de flores cheios de
cor e beleza.
História da Cidade de Santo Tirso
Santo
Tirso, situa-se no Douro Litoral, Norte de Portugal. É a
maior concentração do sector têxtil do País. Este concelho é
de incomparável beleza, está emoldurado de vegetação. A
paisagem rural, com suas terras férteis, perfazem um encanto
natural, que caracteriza a região. A cidade, de Santo Tirso,
desenvolveu-se em volta do Mosteiro de S. Bento, cuja
fundadora, foi Únisco Godinhes, em 978. O Mosteiro foi
sagrado pelo Bispo Crecónio de Coimbra, em 1092, depois de
ter sido reformado e nele implantada a ordem de S. Bento, no
decorrer do Século XI. Soeiro Mendes Da Maia, em 1097, obtém
a primeira carta de Couto, cedida pelo Conde D. Henrique,
para a povoação. No ano seguinte, Este, cede os direitos
para o Mosteiro, tornando-se então, dos mais poderosos do
País, obtendo, inclusive, Bulas de proteção dos Papas
Inocêncio III e Honório III. D. Sancho I, Afonso II e a
Infanta D. Urraca Sanches, fizeram importantes doações que
contribuíram para o desenvolvimento do Mosteiro e
posteriormente da povoação. A Cidade de Santo Tirso,
situa-se na margem esquerda do Rio Ave, passou em 1833 a
Sede de Concelho, a vila em 1863 e foi elevada a cidade em
1985. A região, com suas férteis terras e acentuada
industrialização, é uma zona bastante rica. Além do
importante papel que representa junto do sector têxtil
nacional, graças ao seu elevado nível produtivo, a região
tem unidades de montagem de automóveis, máquinas e fabrico
de pneus. Santo Tirso é uma cidade tranquila, apesar do seu
alto nível económico, de onde se sobressaem Monumentos
Históricos como a Ponte Medieval da Lagoncinha, a Igreja de
S. Tiago, em Antas, ou também o Museu Abade Pedrosa, pegado
ao Mosteiro. A sua principal Romaria realiza-se todos os
anos entre 9 e 11 de Julho, em memória e honra de S. Bento e
decorre junto do Mosteiro. Na região, um dos locais mais
atrativos, é o Monte Padrão, devido há magnifica paisagem,
que daí se pode desfrutar. É aí que se encontra um Castro
Luso Romano. Perto, a uns duzentos metros, situa-se a
citânia de Sanfins, que é um forte contributo histórico
cultural, para a região, devido aos vestígios pré-históricos
aí encontrados. Um pouco mais acima do Castro, a norte,
encontra-se o Santuário de Nossa Senhora da Assunção, um
templo em granito, com estilo neo-românico, construído em
1934. Todos os anos se realiza, junto do esplendoroso
Santuário, uma romaria em honra da Santa, em 15 de Agosto.
Toda esta zona está envolvida por uma exuberante vegetação.
Na encosta deste monte, da freguesia de Monte Córdova, nasce
o rio Leça; foi junto à margem deste rio, perto da nascente,
no local de Valinhas, que Camilo Castelo Branco, se serviu
como cenário, no Romance: " A Bruxa de Monte Córdova ".
Neste concelho, de Santo Tirso, encontra-se outro importante
Mosteiro, o de Singeverga, pertencente há ordem de S. Bento.
A sua construção de granito é habitada por monges, desde
1931, desde então aí instalados. Uma das suas riquezas é o
famoso Licor de Singeverga, feito pelos próprios monges e o
seu fabrico obedece a receitas antigas, datadas do sec. XVI.
É de enaltecer a coleção de borboletas, propriedade deste
Mosteiro, que é das maiores do mundo e a maior de Portugal.
O Museu de Arte Angolana, também é uma grande valia
cultural, sobretudo pelos seus exemplares de escultura
Quioca. Perto de Singeverga, encontra-se uma Igreja
Românica, do século XIII, no local de Roriz.
Informações retiradas de
diversos sites
Fraternidade de Nuno
Álvares - Direção Regional do Porto