Atividades Nacionais

                             

2012

VII Acanac - Guimarães

2011

Jornadas da FNA - Aveiro

2010

Aniversário Canonização

2009

VI Acanac - Sintra

2007

Chama Centenário

2006

V Acanac - S.Jacinto

2004

Peregrinação a Fátima

2003

IV Acanac - Mangualde
 

 

 

 

 

 

VII Acanac da FNA - III Jamboree

 

Organização: Região de Braga

 

Local:  Penha - Centro Escutista de Guimarães

 

de 19 a 22 de julho de 2012

 

 

"A FNA NOS TRILHOS DA CULTURA"

 

 

 

 41º 25' 36,57" N  -  8º 16' 06,20" W

 

 

 

 

Boletim de Inscrição

 

Circular do Acanac

 

Norma Execução Interna n.º 11

 

Boletim de Inscrição individual para estrangeiros

 

Formulario de Inscripción

Subscription Form

Formulaire d'Inscription

 

 

 

Informação aos associados da Região

 

Os associados da Região do Porto, tem obrigatoriamente de entregar à Direção Regional as inscrições e os respetivos pagamentos, individualmente ou através da Direção de Núcleo.

 

Os pagamentos podem ser feitos em dinheiro, cheque ou por transferência bancária para o NIB = 0035 0743 0000 840 333 058, anexando ao boletim de inscrição o respetivo comprovativo.

 

O valor da inscrição são 80,00 (oitenta) euros e pagamento único até ao dia 30 de abril de 2012.

 

As crianças dos 6 aos 12 anos o valor da inscrição são 50,00 (cinquenta) euros e pagamento único até ao dia 30 de abril de 2012.

 

 

Informação Nacional

 

Os Núcleos que tem Direção Regional, tem obrigatoriamente de entregar às suas Direções Regionais as inscrições e os respetivos pagamentos.

 

Os Núcleos que não tenham Direção Regional, as inscrições e pagamentos serão enviados diretamente para a Fraternidade de Nuno Álvares – Área Administrativa e Financeira do VII ACANAC – Rua das Chagas, 8 – 1200-107 Lisboa, neste caso os pagamentos podem ser feitos por transferência bancária para o nib: 0010 0000 3827808 000 171, anexando ao boletim de inscrição o respetivo comprovativo.

 

Os valores e prazos são precisamente os mesmos.

 

 

Vídeo promocional do ACANAC

 

 

 

 

O local do ACANAC da FNA, acolheu em julho de 2011, o VII ACANUC, organizado pela da Junta de Núcleo de Guimarães do CNE, onde participaram mais de 1300 Escuteiros.

 

 

 

Cidade de Guimarães

 

 

Em 2012 Guimarães acolhe também um grande encontro de criadores e criações — música, cinema, fotografia, artes plásticas, arquitetura, literatura, pensamento, teatro, dança, artes de rua. Em Guimarães vão cruzar-se os produtos artísticos imaginados e gerados pelos seus residentes com os que de toda a Europa afluirão à cidade. Ao longo de um ano, a cidade será promotora da diversidade cultural que caracteriza a Europa, dando a conhecer as suas manifestações culturais e acolhendo as de outros países.

 

 

História da Cidade de Guimarães

 

Habitualmente designada por Berço da Nacionalidade, a cidade de Guimarães possui características ímpares que a distinguem de outras cidades portuguesas e a colocam num lugar de relevo na História de Portugal, o que lhe confere tal epíteto:

- de acordo com o que reza a tradição, terá sido em Guimarães que nasceu e foi batizado aquele que, em 1179, viria a ser coroado o primeiro Rei de Portugal , D. Afonso Henriques;

- Guimarães assumiu um papel de grande relevo no tempo do Condado Portucalense, pois era a sua villa mais importante;

- Guimarães terá sido palco da batalha de S. Mamede, cuja vitória de D. Afonso Henriques foi decisiva para a fundação da Nação Portuguesa ao garantir a independência do Condado Portucalense face ao Reino de Leão. A origem de Guimarães remonta a uma villa, então designada Vimaranes, que se julga ser o genitivo do nome pessoal de origem germânica Vimara ou Guimara, o qual seria um dos donos desta terra. Com o passar dos séculos, a palavra foi evoluindo para Guimarães por via do Latim. No entanto, ainda hoje os habitantes de Guimarães são designados por "Vimaranenses". No século X, a Condessa Mumadona Dias, tia do Rei Ramiro II de Leão e viúva do Conde Hermenegildo Gonçalves, manda construir na sua terra Vimaranes o convento de frades e freiras que se tornou num polo de atração e de fixação populacional. Para sua defesa, Mumadona manda erguer o Castelo, entre os anos de 959 e 968. A então villa Vimaranes desenvolve-se em volta destes dois polos dinamizadores: o Convento e o Castelo. No século XI o rei Afonso VI de Leão e Castela entrega o governo da Província Portucalense ao Conde D. Henrique, que para aqui vem viver. Este casa-se com D. Teresa (filha ilegítima de D. Afonso IV). Desta união nasce, em 1111, aquele que viria a tornar-se o primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques. Em 1114, o Conde D. Henrique morre, tendo, poucos anos antes, outorgado foral à villa Vimaranes concedendo privilégios especiais aos seus moradores. Em 1128, no dia vinte e quatro de Junho, dá-se a Batalha de S. Mamede. O Campo de S. Mamede, junto ao Castelo de Guimarães, é apontado por vários historiadores como tendo sido um dos seus palcos. Esta batalha é travada entre as hostes de D. Afonso Henriques e as de sua mãe, D. Teresa e do Conde de Trava de Galiza, em que os primeiros defendiam a independência do condado face ao reino de Leão. Esta batalha é vencida por D. Afonso Henriques marcando assim os alicerces da nação Portuguesa. Em 1179, D. Afonso Henriques é reconhecido Rei de Portugal pelo Papa Alexandre III. No século XII, o Convento, fundado pela Condessa Mumadona Dias, vai ser transformado em Colegiada, que ao longo dos tempos vai ver o seu prestígio e importância valorizados face às doações e privilégios que lhe vão sendo concedidos por reis e nobres. Com o passar dos séculos, Guimarães vai ser palco do desenvolvimento de algumas indústrias como sendo a cutelaria, a fiação e tecelagem de linho, a curtimenta das peles e a ourivesaria. No plano religioso, a devoção pela Virgem Santa Maria de Oliveira faz da vila um importante centro de peregrinação.  Em volta dos seus dois polos dinamizadores - do Convento e do Castelo - vai ser construída uma muralha defensiva e, a ligá-los, forma-se a Rua de Santa Maria. Aos poucos, estes dois aglomerados urbanos vão fundir-se num único e a organização e fisionomia da vila intramuros pouco mudará após o século XV. A instalação das ordens religiosas dos Dominicanos e Franciscanos, fora dos muros do burgo, vai contribuir para a urbanização extramuros e consequente alargamento da cidade. No ano 1853, a Rainha D. Maria II eleva a vila à categoria de cidade, sendo a partir daqui fomentado e autorizado o derrube das muralhas, muralhas estas das quais é ainda possível hoje em dia observar alguns vestígios.

 

Santuário de Nossa Senhora da Penha

 

O Santuário de Nossa Senhora da Penha foi construído a meados do século XVII na Montanha da Penha. É um centro de peregrinação muito importante que concentra um grande número de fiéis, sobretudo durante a época de verão. Merece especial destaque os azulejos que decoram as paredes, obra de Policárpio de Oliveira Bernardes, e o púlpito da sua capela. Todos os anos o segundo domingo de Setembro se celebra uma peregrinação ao Santuário.

 

Guimarães

Guimarães

Com o seu centro histórico recentemente declarado Património da Humanidade pela UNESCO, Guimarães junta esse galardão a outro título que exibe por direito próprio, o de berço da nação Foi no seu altivo e monumental castelo que nasceu, no século XII, o primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques. O centro histórico agora distinguido está extremamente bem conservado e as ruas estreitas e de aspeto medieval, com casas antigas embelezadas por estátuas ou varandas de torneados, conduzem ao belíssimo Largo da Oliveira, um dos centros de maior interesse.

 

Citânia de Briteiros

Citânia de Briteiros
As ruínas arqueológicas de Briteiros S. Salvador representam uma prova da existência de um povoado primitivo, de origem pré-romana, chamados "castros" no noroeste de Portugal, onde é possível encontrar vestígios da cultura castreja. O espólio arqueológico destas ruínas encontra-se exposto no Museu da Sociedade Martins Sarmento, em Guimarães.

 

 

 

Castelo de Guimarães

 

O castelo de Guimarães é sem sombra de duvida o castelo símbolo da nacionalidade portuguesa, não poderia portanto deixar de falar de forma especial deste belo e altivo castelo construído com tanta arte, sabedoria e magnificência. Integrado decerto na corrente de nobres atraídos ao ocidente peninsular pelas vicissitudes da Reconquista Cristã, um rico homem  crivelmente de ascendência castelhana, Diogo Fernandes, veio nos fins do século IX estabelecer-se na região vimaranense, então em início dum promissor desenvolvimento. Com ele vieram a mulher e a prole, que provavelmente abrangia já, embora neste caso, todos de tenra idade, o filho e as três filhas que a constituíram. Entre estas, contava-se uma, de nome Mummadona, que haveria de notabilizar-se, não só por no seu casamento com Hermenegildo Gonçalves se ter originado uma dinastia condal que governou, desde meados do século X até ao terceiro quartel do XI, a já chamada terra portucalense, núcleo do futuro Portugal, mas também pelo seu devotamento ao progresso e à defesa da incipiente Guimarães, então repartida em dois modestos núcleos populacionais, um no alto do Monte Largo – alpis latitus no latim dos documentos da época – e o formado no sopé dessa colina. Tendo enviuvado não depois do ano 928, Mummadona viu-se senhora de vastíssimos bens, que em Julho de 950 partilhou com os seus filhos – cinco homens e uma mulher – para logo a seguir, animada de viva religiosidade, fundar na vila baixa um mosteiro, ao qual, nove anos depois, em Janeiro de 959, fez uma amplíssima doação de terras, gados, rendimento, ricos ornamentos de culto e livros religiosos. Porém, naqueles tempos, não decorria tranquila a vida quotidiana no noroeste peninsular, em que se engastava a progressiva Guimarães; além da ameaça permanente de possíveis investidas das hostes muçulmanas, ainda dominantes ao sul Coimbra, eram sobretudo inquietantes os repetidos assalto dos chamados normandos, misto de guerreiros e piratas, que provenientes dos mares do norte da Europa, abordavam em som de guerra as costas peninsulares ou subiam os cursos dos rios, e desembarcando espalhavam por toda a parte sangue e ruínas, saqueando, matando e cativando, após o que, com maior ou menor demora, reembarcavam, embora não o fizessem incólumes. Dos anos subsequentes ao daquela doação, algumas dessas incursões são conhecidas, além certamente de vários outros assaltos cuja escassa monta se apagou na memória das gentes, não deixando rasto na história. Uma dessas irrupções, de muçulmanos ou normandos, sobreveio por aquelas vizinhanças, e o coração da piedosa dama foi tocado de profundo temor pela segurança do mosteiro a que era tão devotada. Então resolveu ela construir naquele Monte Largo, a cavaleiro das casas por que se repartiam as duas secções masculina e feminina da instituição monástica que fundara, um castelo, onde a comunidade se acolhesse em ocasião de perigo. É bem conhecido e várias vezes citado o trecho da carta de doação desse castelo aos religiosos, lavrada em Dezembro de 968, do qual consta a referida decisão. Já nesse ano, e em anos seguintes por mais de uma vez, monges e monjas estariam de olhos postos no seu refugio castelejo, e prestes a correrem para ele. Primeiro, porque justamente desde os alvores desse 968 largamente se espalharam pelas terras da Galiza, levando-as a ferro e fogo, os oito mil normandos do viking Gunderedo, que só muito mais tarde vieram a ser vencidos e expulsos; depois, porque em várias ocasiões andou a guerra pelo norte de Portugal, movida ora por muçulmanos, ora por normandos. Nomeadamente em 997, quando Mohâmede Abu-Amir, o celebre Al-mansor, vindo de Cória, fez caminho pela Beira, veio ao Porto, e, como o seu fito era destruir Compostela, deve ter seguido, desde aquela cidade, pela estrada romana que a ligava a Braga, passando portanto a uns quinze quilómetros de Guimarães, em marcha bélica embora não agressiva; mais perigosamente em 1010 ou 1016, porque então uma horda normanda invadiu a região ao sul do Minho e chegou às vizinhanças Guimarães, pois assolou as terras da vizinha Vermoim, cujo castelo assaltou. Unanimemente se crê dever ser rude e simples, uma torre e porventura um modesto muro de defesa esse primitivo castelo, que nos fins do século Xl – quando o governo da terra portucalense, logo também chamada província portucalense, foi confiado ao Conde Henrique por seu sogro, o monarca leonês Afonso VI – devia estar já assaz arruinado, sendo então provavelmente demolido por iniciativa daquele nobre parente dos reis de França, a quem se devem os primeiros lineamentos da independência de Portugal, e substituída por outra edificação mais ampla e mais sólida, que, posteriormente acrescida e melhorada, veio a constituir esse importante conjunto ainda perdurante. Cobrindo um espaço escutiforrne, delimitado pela sua linha de muralhas, voltada ao norte em face quase reta, e a leste e a oeste em faces de progressiva curva que vem ligar-se, formando vértice, no sul – o castelo é dominado pela quadrangular torre de menagem, que ao centro da edificação ostenta a sua imponente altura. Quatro outras grandes torres, de porte um tanto menor, guarnecem a muralha, nos ângulos meridional e nordestino e nas faces setentrional e ocidental; um par de torreões flanqueia a porta principal, aberta a oeste, e outro a porta da traição, na face oposta. Por sobre as muralhas corre um amplo adarve, com acesso interior por adossadas escadarias de pedra, ligado na sua face oeste por uma fruste ponte de madeira, à porta de entrada da torre de menagem, aberta na equivalente altura duns folgados cinco metros; finalmente, tudo, adarves e terraços das torres e torreões, defendido por parapeitos coroados de ameias. No terreiro, adossada à muralha do norte, uma casa, visivelmente de habitação, cujas nada grandiosas dimensões os existentes restos testemunham.  A evolução construtiva deste interessante castelo não e conhecida através de fontes históricas suficientemente esclarecedoras; e quase pode dizer-se que tudo quanto se tem apurado resulta de dados oferecidos pela própria construção, dados  sobre os  quais se apoiam as Possíveis hipóteses cronológicas. Bom testemunho de tais dificuldades e dado pelas duvidas que podem formular-se a respeito da total demolição ou parcial aproveitamento da primitiva edificação quando a nova foi encetada, pois tudo quanto a esse problema se refere, ou ao avanço da nova construção, tem sido expresso, como é natural, em afirmações cautelosas e um tanto vagas cronologicamente. Quanto às muralhas, é visível no seu troço voltado à cidade uma sobreposição de sistemas construtivos, de pedras irregulares até certa altura e esquadriadas daí para cima, circunstância que parece denunciar a existência de duas fases construtivas, uma mais antiga, porventura a henriquina, e outra de melhoramentos que tem sido atribuídos ao século XIV. Uma palavra cumpre acrescentar ainda, referentemente ao edifício adossado a parte interna da muralha setentrional, tradicionalmente considerado moradia do Conde D. Henrique e berço do primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques. Essa tradição levantou há um século prolongada controvérsia, e as duvidas a tal respeito persistem ainda. Invocou-se, e invoca-se, contra ela, a relativa exiguidade da construção; mas este argumento perde valor quando se pensa que nessa época, e mesmo algum tanto posteriormente, até os reis eram, quanto a isso, tão pouco exigentes, que em certas circunstâncias o paço real – assim mesmo o paço – era de tal modéstia, que a sua cobertura se fazia com colmo. Mais forte é porventura o facto de saber-se pela carta de doação duns campos m Guimarães, outorgada em 2 de Janeiro de 1121 pela condessa D. Teresa a certos franceses aí moradores, que esses campos ficavam junto do palácio da doadora, na denominada Rua dos Franceses; portanto nesta data, e evidentemente com anterioridade maior ou menor, a residência condal era na vila e não no castelo, Admitindo que a anterioridade de tal residência não atingia os últimos anos da vida do Conde Henrique, falecido em 1112, e consequentemente o do nascimento de D. Afonso Henriques (1009 ? ), pode aceitar-se residirem o conde e a família durante esses anos no castelo, e ter assim fundamento a aludida tradição; mas, para tal, tem ainda de admitir-se que a reedificação empreendida por ele ia já adiantada ao ponta de abranger a conclusão do dito imóvel, e que só morto o Conde, a viúva se mudou do castelo para a vila. Tudo, afinal, hipóteses sobre hipóteses, à espera dum milagre documental que resolva o problema. Aceite-se, porém, que ou logo de começo, ou apenas depois, o discutido domicílio serviu de moradia ao alcaide, que, no castelo de Guimarães, como habitualmente, devia obrigatoriamente residir. No decurso dos séculos XII a XIV, vários sucessos esmaltam a história militar deste castelo. Nele deve ter resistido o moço Afonso Henriques, quando em 1127, achando-se em Guimarães, ali veio mover-lhe guerra o rei de Leão, Afonso VII, seu primo, com o fito de reduzi-lo à vassalagem de que, já em luta com a mãe para obtenção do governo do condado portucalense, pretendia libertar-se. Ao castelo vimaranense pode também considerar-se ligada a tradição dum acto então praticado por Egas Moniz, antigo aio e devotado partidário de Afonso Henriques, o qual tendo ficado fiador do novo infante, quando este, no aperto das circunstâncias, prometeu constituir-se vassalo do rei de Leão, promessa que, uma vez liberto do assédio, logo renegou – se dirigiu a corte leonesa, para oferecer a Afonso VII, em resgate da violada fiança, as vidas, sua e dos seus, entendendo que a independência da terra portuguesa, de que aliás era fervoroso propugnador, não devia assentar num perjúrio, tradição que Camões imortalizou em algumas poéticas estrofes dos Lusíadas. Em 1322, no decurso da campanha movida pelo Infante D. Afonso, futuro Afonso IV, contra o pai, D. Dinis, pretendendo que este lhe entregasse o governo, tocou a vez a Guimarães, que o impetuoso moço veio cercar. Novamente o castelo teve então horas de fulgor, firmemente defendido com êxito, bem como a povoação, pelo seu alcaide, Mem Rodrigues de Vasconcelos, avô dum homónimo que veio a ser, em 1385. glorioso combatente da Ala dos Namoradas, na batalha de Aljubarrota. Meio século depois daquele episódio, quando em 1369 a política peninsular de D, Fernando concitou as iras do monarca castelhano Henrique II, e este invadiu Portugal, outra vez o castelo de Guimarães, como padrasto de defesa da vila, e o seu alcaide, então Gonçalo Pais de Meira, estiveram em foco, pois o invasor, que entrara em Portugal pela fronteira do Minho e conquistara Braga, veio pôr cerco a Guimarães. Uma vez mais, já no tempo da crise dinástica que se seguiu ao falecimento de D. Fernando, as vicissitudes do castelo de Guimarães se inseriram nas da Nação; e deste sucesso há conhecimento mais detalhado, porque a ele se referiu um tanto pormenorizadamente o cronista Fernão Lopes. Após a sua aclamação. D. João I seguiu para o norte em liquidação dos núcleos de resistência ainda favoráveis à legalidade de poder régio da filha de D. Fernando, e portanto as pretensões de seu marido, o rei de Castela; um deles era o castelo de Guimarães, então a cargo de Aires Gomes da Silva. O rei chegou ali no começo de Junho (1385), vinda do Porto com tropas e armas julgadas suficientes, pois contava com elementos favoráveis na vila. Um desses seus partidários, o escudeiro Afonso Lourenço Carvalho, que era o melhor e mais honrado do lugar», ardilosamente conseguiu, numa das imediatas noites que o guarda duma das portas do muro exterior da vila a abrisse: e logo por ela, com breve combate, entraram o Rei e os seus homens de armas. Mas a resistência não tardou em organizar-se, e para assaltar o chamado muro velho», decerto o do tempo de D. Alonso III, foi necessário mandar vir do Porto mais material de guerra, prolongando-se a luta por bastantes dias. Porém a decisão do alcaide, puramente legalista, e assim sem o calor duma animação patriótica, acabou par fixar-se numa proposta de tréguas, nos termos daquilo que se chamava «preitezia», isto é, numa promessa de rendição, se em certo prazo a entidade a que fora prestada fidelidade não acorria com socorro. Neste caso, estabeleceu se um prazo de 30 dias; mas o monarca castelhano, a quem foi passado o aviso, não enviou reforços, desculpando-se com a escassez do tempo concedido. Então foram entregues a D. João I o castelo e a vila, indo-se Aires Gomes da Silva, que «era velho e não bem são, e levaram-no fora em colos de homens, e, a poucos dias depois disto, morreu, aqui no Reino». Mas a história deste sucesso militar e político não haveria de encerrar-se sem que a nimbasse uma aureola sentimental. Gonçalo Marinho, que fora o emissário enviado a Castela, estava noivo duma filha de Aires Gomes da Silva; porém quando a mãe da noiva, após a derrota do marido, se acolheu a Castela, seu irmão, Pedro Tenorio, arcebispo de Toledo, opôs-se ao projetado casamento e consorciou-se com outro a prometida esposa de Gonçalo Marinho. Então este, vendo afastada do seu lar aquela que sonhara lhe fosse nele companheira. «fez-se frade de São Francisco, e assim acabou sua vida». Estava-se então nos primórdios do uso de artilharia, cujos primeiros tiros, os dos (trons) castelhanos, se ouviram pouco depois. na batalha de Aljubarrota. Esta nova arma, ainda inoperante contra as rijas couraças castelejas, não tardaria a ser-lhes inimigo respeitável. Por outro lado, a Guerra da Independência travou-se em sectores diferentes dos campos vimaranenses; e mesmo ela já antes do alvorecer de Quatrocentos podia considerar se praticamente finda. Assim, o castelo de Guimarães, como muitos outros, conheceu desde então o ocaso da sua gloriosa existência, pouco a pouco, no decurso dos séculos XVI a XIX o influxo dos tempos e o ignaro desrespeito dos homens algum tanto lhe macularam a integridade, até que o restauro levado a cabo há tempo logrou restituir a essas muralhas e torres, onde ainda repercute o eco de épicas lutas, toda a sua prístina grandiosidade, toda a sua severa e majestosa beleza. Em volta deste castelo existe todo uma áurea de prestígio honra, emoção e orgulho. A tudo isto há a acrescentar a beleza da paisagem e a obra de arte da arquitetura feita na pedra. Foi esta a terra natal de Afonso Henriques que viria a ser o primeiro Rei de Portugal.

 

 

D. Afonso Henriques

 

Cognominado "o Conquistador", foi o primeiro rei de Portugal, governando de 1128 a 1185. Filho de D. Henrique de Borgonha e de D. Teresa de Aragão, nasceu provavelmente em Guimarães (embora Viseu seja também um local apontado para o seu nascimento) em finais de 1108 (ou primeiros meses de 1109) e faleceu em 1185. Casou em 1146 com D. Mafalda, filha de Amadeu II, conde de Moriana e Sabóia. Após a morte de D. Henrique, D. Teresa ficou à frente dos destinos do Condado Portucalense, sendo influenciada politicamente pela família Peres de Trava. O jovem infante tomou então uma posição política oposta à de sua mãe, sob a direção do arcebispo de Braga D. Paio. Ter-se-á armado cavaleiro no dia de Pentecostes de 1122, por suas próprias mãos, na catedral de Zamora. Em Setembro de 1127 D. Afonso VII invadiu Portugal e cercou o Castelo de Guimarães, onde se encontrava o infante. Depois de D. Afonso Henriques ter reafirmado a sua lealdade perante Afonso VII, rei de Leão, este desistiu de conquistar a cidade e levantou o cerco. Feitas as pazes com Afonso VII, a posição de D. Afonso Henriques e dos nobres que o acompanham volta-se contra D. Teresa e a família Trava. O conflito só viria a ser sanado com a batalha de S. Mamede, que teve lugar a 24 de Junho de 1128 nos arredores de Guimarães, tendo saído vitoriosas as hostes de D. Afonso Henriques. A partir desta data passou o infante a governar o condado. Depois de ter resolvido as escaramuças na fronteira com a Galiza e assinado tréguas de dois anos com Afonso VII, voltou-se para a fronteira meridional, tendo fundado em finais de 1135 o castelo de Leiria, que viria a ser de importância fundamental para a reconquista. Novamente as atenções de D. Afonso Henriques se voltaram para a fronteira setentrional, só que em simultâneo os muçulmanos tomaram Leiria. Tendo firmado novamente a paz com Afonso VII, D. Afonso Henriques acorre ao sul, onde defrontou os muçulmanos na Batalha de Ourique. Esta famosa batalha viria a ser origem de lendas e exageros, não se sabendo ainda hoje com exatidão o local onde se terá travado. Uma certeza há, no entanto: a partir daqui começou D. Afonso Henriques a intitular-se rei. D. Afonso Henriques iniciou então uma nova fase na sua política de aproximação à Santa Sé, da qual se declarou vassalo em 1143. O papa, contudo, limitou-se a tratá-lo por Dux. Por sua vez, D. Afonso VII reagiu mal a esta posição de D. Afonso Henriques e não lhe reconheceu o título de rei. A reconquista prosseguiu, no entanto, e D. Afonso Henriques não perdeu a primeira oportunidade que se lhe deparou para conquistar Santarém e Lisboa. A primeira foi tomada de assalto em Março de 1147, o cerco da segunda foi, todavia, demorado e difícil, tendo sido importante a ajuda proporcionada pela expedição de cruzados que se encontrava de passagem pelo nosso litoral. A cidade só veio a render-se em 24 de Outubro desse mesmo ano. Após estas conquistas, a atividade militar abrandou, pois era altura de procurar povoar e organizar o território e de incrementar a política de autonomia da Igreja portuguesa junto da Santa Sé. O principal obreiro desta política foi D. João Peculiar, arcebispo de Braga. Com a morte de Afonso VII, os seus dois filhos entenderam-se para submeter D. Afonso Henriques. Porém, a morte de Sancho pouco tempo depois veio alterar o panorama peninsular. Parece que terá então Fernando II reconhecido D. Afonso Henriques como rei de Portugal a troco do seu reconhecimento como rei de toda a Espanha. Pensa-se, contudo, que a fronteira meridional continuava a ser o Tejo. Compreende-se assim a inquietação que causava ao rei de Leão a ação de Geraldo no Alentejo, tanto mais que as conquistas infletiam cada vez mais para leste. Tendo ido D. Afonso Henriques em auxílio de Geraldo em Badajoz, aproveitou Fernando II um acidente em que o nosso rei partiu uma perna para o aprisionar. A liberdade só foi restituída a troco dos territórios tudenses, não sendo, no entanto, contestadas as conquistas a oeste de Badajoz. Os muçulmanos passaram então a tomar a iniciativa, tendo cercado em Santarém o próprio rei de Portugal após terem reconquistado todo o Alentejo. D. Afonso Henriques foi auxiliado pelo rei de Leão, que, como rei das Espanhas, não podia deixar de se considerar obrigado a intervir, vindo a ser assinadas tréguas com os muçulmanos. A maioridade de Afonso VIII de Castela, em 1179, tornou a posição de D. Fernando II insustentável como rei das Espanhas. Desta forma, pressionado por diversos campos, veio a ceder, reconhecendo assim definitivamente a autonomia política de Portugal. Tanto mais que, pela Bula "Manifestis Probatum" de 23 de Maio desse mesmo ano, o papa Alexandre III conferiu a D. Afonso Henriques o direito de conquista de terras aos muçulmanos sobre as quais outros príncipes cristãos não tivessem direitos anteriores, e foi nesta bula que, pela primeira vez, D. Afonso Henriques foi designado como rei. Após o incidente de Badajoz, a carreira militar de D. Afonso Henriques praticamente terminou. Dedicou a partir daí quase toda a sua vida à administração dos territórios com a coregência do seu filho D. Sancho. Procurou fixar a população, promoveu o municipalismo e concedeu forais. Contou com a ajuda da ordem religiosa dos Cistercienses para o desenvolvimento da economia, predominantemente agrária. Não podemos também deixar de referir o papel que as ordens religiosas militares, dos Templários, dos Hospitalários e de Sant'Iago, tiveram na reconquista. D. Afonso Henriques retribuiu esses serviços com avultadas concessões. D. Afonso Henriques faleceu a 6 de Dezembro de 1185 após um governo de mais de 57 anos. Foi sepultado na Igreja de Santa Cruz de Coimbra, onde ainda hoje permanecem os seus restos mortais.

 

 

Cidade de Braga

 

 

 

História da Cidade de Braga

 

A ocupação humana da região onde se integra o município de Braga remonta a milhares de anos, estando documentada por vestígios que adquirem monumentalidade a partir do período megalítico. Na época correspondente à Idade do Ferro, desenvolveu-se a denominada cultura castreja, característica do povo brácaro que ocupava estrategicamente sítios fortificados nos pontos altos do relevo. O processo de romanização iniciou-se por volta do ano 200 A.C., consolidando-se a partir dos primórdios da nossa era, com a fundação da primeira cidade de Braga - Bracara Augusta. A partir do século V, as invasões bárbaras (povos: Suevo e Visigodo), trouxeram à região profunda conturbação que se prolongou com os Árabes até finais do século VIII, só se iniciando o processo reorganizativo nos finais do século seguinte. Cerca de 1070, D. Pedro, primeiro Bispo de Braga, reorganiza a Diocese, conhecendo a cidade e a área envolvente um clima de franco fortalecimento das suas estruturas fundamentais. A urbe vai-se desenvolvendo em torno da Catedral circunscrita ao núcleo amuralhado e sucessivamente fortificado ( D. Henrique, D. Dinis e D. Fernando), não sofre significativa expansão. Braga no século XVI, é uma cidadela que vive à margem dos ventos dos descobrimentos e do "progresso" consagrado na época. D. Diogo de Sousa (insigne Arcebispo), homem de ideias renascentistas, vai transformá-la de tal forma, que se pode falar em refundação, sobrevivendo a nova Bracara, quase inalterada, até ao século XIX. Ao período vivido entre meados de quinhentos e as primeiras décadas de setecentos, associa-se um fervoroso clima de religiosidade, patente na afluência de comunidades religiosas que vão construir Mosteiros, Conventos e Igrejas, apagando sucessivamente os edifícios de traça romana e influenciando a própria arquitetura civil através do recobrimento das fachadas do casario com gelosias. No século XVIII, Braga ressurge e brilha nas floreadas curvas do Barroco, protagonizadas pelos Arcebispos da Casa de Bragança e pelo génio artístico de André Soares (Arquiteto 1720- 1769), que lhe conferiram para a eternidade, um legado excecional, verdadeiro Ex-Libris do Barroco em Portugal. No final do século assiste-se com Carlos Amarante (Engenheiro e Arquiteto 1742-1815) à transição para o Neoclássico. A centúria seguinte traz consigo focos de conflito e destruição (invasões francesas e lutas liberais), afluindo a partir da segunda metade, o dinheiro e o gosto dos brasileiros (emigrados portugueses regressados do Brasil). Introduzem-se na cidade algumas "melhorias" a nível de infraestruturas e equipamentos e o centro cívico deixa a tradicional zona da Sé, passando para o Jardim Público, hoje chamado Avenida Central. A viagem em curso pelo século XX, consolidou e implementou novos instrumentos de desenvolvimento (água, saneamento, transportes, etc.), importando mencionar em termos de património construído o edifício do Teatro Circo e o conjunto de fachadas que definem o topo nascente da Avenida da Liberdade. O período pós-revolução traduziu-se num enorme crescimento a todos os níveis (demográfico, económico, cultural, urbanístico), convertendo-se Braga, muito provavelmente na terceira cidade do País. Ao nível das intervenções arquitetónicas, há que referir ainda, o Estádio Municipal de Braga, o Teatro Circo, o Mercado Municipal do Carandá e o Palácio de Exposições e Desportos, edifícios considerados importantes no contexto da arquitetura portuguesa contemporânea. Por outro lado, assiste-se a uma atuação permanente e sensibilizada em prol do magnífico património arquitetónico bracarense. O ano 2000 foi o ano comemorativo do bimilenário da cidade de Braga. O programa organizado em torno de tão notável evento pretendeu lançar um olhar às raízes da cidade dos Arcebispos. Esta contemplação do passado tencionou evocar a multiplicidade de acontecimentos e figuras marcantes ao longo destes dois milénios de história de uma cidade que caminha para a modernidade, procurando afirma-se na sua singularidade regional e nacional.

 

Antigo Paço Arquiepiscopal Barcarense

Antigo Paço Arquiepiscopal Barcarense
Extraordinário conjunto, composto por três corpos de características e épocas distintas. A ala nascente (voltada ao Jardim de St.ª Bárbara) em estilo Gótico, remonta ao século XVI, a ala poente (voltada à Praça do Município) em estilo tardo barroco, foi erigida no século XVIII, ala Sul que define o belíssimo Largo do Paço, integra edifícios mandados construir por diferentes arcebispos nos séculos XVI, XVII, XVIII.

 

House of Coimbras

Casa dos Coimbras
A atual Casa dos Coimbras, como é vulgarmente conhecida, tem nas suas origens uma construção que já em 1471 servia de residência ao deão D. Martim Anes, em 1477 ao bispo Titopolis D. Gil e em 1502 ao protonotário apostólico D. Luís Gonçalves Farto. Tendo sido adquirida em 1505 por João de Coimbra, doutor em degredos natural de Lisboa, sofreu desde então várias reconstruções, a primeira das quais levada a cabo por artistas biscainhos presentes em Braga para a execução da capela-mor da Sé Catedral. Restam hoje da primitiva casa quinhentista, algumas janelas em estilo Manuelino, que sobreviveram à demolição ocorrida em 1906.

 

Palácio do Raio

Palácio do Raio
Construído em 1754, é um dos mais notáveis edifícios de arquitetura civil da cidade, em estilo barroco joanino, e deve o seu nome a Miguel José Raio, visconde de São Lázaro, que adquiriu o palácio em 1834. Atualmente, o edifício alberga serviços da Santa Casa da Misericórdia de Braga.

 

Santuario do Bom Jesus do Monte

Santuário do Bom Jesus do Monte
Sítio magnifico onde se conjuga a obra da natureza com a notável obra do homem, (vasta, diversificada e absolutamente fabulosa), numa das maiores intervenções tardo barrocas do País desenvolvida por André Soares. Afirma-se como uma referência obrigatória do Barroco europeu, que evidência a própria evolução da arte-bracarense, consubstanciada na introdução do neoclássico por Carlos Amarante. Importa ainda referir e viajar no funicular, movido a água (finais do século XIX), peça viva da arqueologia dos transportes portugueses.
Imóvel de interesse público, visitável durante todo o dia. Existem autocarros que partem do centro da cidade de meia em meia hora (aos dez e aos quarenta minutos).

 

 

 

Sé Catedral de Braga

 

Segundo a tradição, a diocese bracarense foi criada no século III; mas a História só a confirma a partir do ano de 400. O atual edifício está implantado sobre uma outra construção religiosa que, possivelmente, foi a anterior catedral. Foi com o bispo D. Pedro (1070-1093) que se iniciou a obra da atual Sé. Depois dele quase todos os seus sucessores quiseram deixar a sua marca, fosse em pequenas alterações ou em obras de vulto. O Cabido, a quem pertencia o governo da Catedral, também imitou os arcebispos nos períodos em que se verificou Sé vacante. É por essa razão que do primitivo edifício pouco mais nos resta do que a implantação e o projeto geral, além de alguns curiosos pormenores decorativos, como as duas arquivoltas da primitiva porta principal românica, lavrados com cenas da gesta medieval da Canção da Raposa. Apresentando duas torres na fachada, o que a aproxima das grandes catedrais do românico português, foi, com o correr dos séculos, muito modificada: uma galilé de finais do século xv, fechada no século xviii pela belíssima grade de ferro que o arcebispo D. Diogo de Sousa (1505-1532) fizera para proteger a capela-mor; e, ainda na frontaria, a grande pedra de armas do arcebispo D. Rodrigo de Moura Teles (1704-1728), a edícula e o coroamento das torres, colocados no primeiro quartel de Setecentos. O interior, de três naves, transepto e cabeceira com cinco capelas, é profundamente austero. No período barroco abriram-se grandes janelas, transformaram-se os altares, cobriram-se de estuques e pinturas todas as paredes; a Sé tornou-se uma festa, um apelo aos sentidos. E assim se manteve até meados do século xx quando as obras realizadas pela Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, nas décadas de 30 e 50, restituíram o suposto prospeto medieval do templo, segundo os critérios de restauro então em voga. Exceto a capela-mor, todas as capelas da cabeceira mantiveram as alterações de arquitetura e retábulos que tinham recebido no século xviii. No subsolo da capela-mor conservam-se ainda vestígios arqueológicos do primitivo templo paleocristão e altomedieval. Em 1509, D. Diogo de Sousa patrocinou a construção de uma nova cabeceira, traçada pelo arquiteto João de Castilho, que ali deixou um original testemunho da arquitetura do tardo-gótico nacional, bem visível na sua belíssima abóbada de combados. Ao arcebispo ficou igualmente a dever-se um perdido retábulo de pedra e o frontal do altar, tendo sabido conservar a magnífica imagem francesa de Santa Maria de Braga, do século xiv. O desenho das Capelas do transepto foi influenciado pelo da sacristia, tendo sido, todas elas, alteradas nos inícios do século xviii pelo mestre pedreiro Manuel Fernandes da Silva. Deve salientar-se o revestimento azulejar da capela de São Pedro de Rates, pintado em 1715 por António de Oliveira Bernardes, com representações de cenas da vida do santo, e a finíssima talha neoclássica da Capela do Santíssimo Sacramento, bem como o seu magnífico frontal, entalhado em 1718 pelo mestre Miguel Coelho e inspirado num quadro de Rubens, o Triunfo da Igreja. A sacristia, riscada pelo arquiteto régio João Antunes, em 1698, foi executada pelos pedreiros Pascoal Fernandes e seu filho Manuel Fernandes da Silva. A sua arquitetura foi de uma intensa novidade para a Braga daquele tempo, mas a cidade não soube continuar nessa senda, voltando facilmente para os velhos valores maneiristas. No coro alto o cadeiral e os órgãos, de talha dourada, são obras excecionais de conceção e execução. O cadeiral (1737) é devido ao entalhador e arquiteto portuense Miguel Francisco da Silva. As caixas dos dois órgãos (1737-1739) foram entalhadas e esculpidas por Marceliano de Araújo numa incrível profusão dos elementos mais característicos da talha joanina, abundando as figuras esculturadas, sátiros e golfinhos. A parte mecânica ficou a dever-se ao mestre organeiro galego Frei Simão Fontanes. Todo o conjunto é dominado pelos Esponsais da Virgem, composição fresquista pintada na mesma campanha de obras por Manuel Furtado de Mendonça.  O claustro data dos inícios do século xix; está no lugar de um outro, gótico, que ameaçava ruína em finais de Setecentos. Estabelece ligação com o Tesouro da Sé e com as Capelas de D. Lourenço Vicente, do nome do arcebispo que a reconstruiu – também conhecida por Capela dos Reis – e de Nossa Senhora da Piedade. Na primeira, de estilo gótico, além do túmulo do arcebispo, guardam-se os túmulos dos condes D. Henrique e D. Teresa. Na Capela de Nossa Senhora da Piedade, fundada por D. Diogo de Sousa em 1513, guarda-se o túmulo do prelado, obra de artista coimbrão desconhecido, talvez o mesmo que lavrou os túmulos dos pais de D. Afonso Henriques, dispostos na capela anterior. A imagem original da Senhora do Leite, obra de outro artista coimbrão, o desconhecido Mestre dos Túmulos Reais, está agora aqui recolhida. E merecem ainda atenção alguns dos retábulos, como o de Nossa Senhora da Boa Memória, em estilo rococó. Junto à porta lateral que dá para a Rua do Souto localiza-se o Claustro de Santo Amaro, onde subsiste um absidíolo, talvez pertencente ao projeto original da Sé, cuja abóbada está coberta por uma pintura dos finais do século xv. Outras duas capelas, de implantação autónoma, fazem ainda parte do conjunto monumental. A Capela de São Geraldo foi inicialmente construída no século xii. Sofreu as mais variadas alterações, sobretudo no período barroco, tendo sido a sua fachada totalmente refeita durante a grande campanha de restauro dos anos 40. O espaço interior, remodelado pelo arcebispo D. Rodrigo de Moura Teles, que aqui colocou o seu túmulo, tem as paredes recobertas de azulejos, atribuíveis a António de Oliveira Bernardes. A Capela da Glória é obra do arcebispo D. Gonçalo Pereira (1236-1248). As paredes laterais ostentam uma decoração geométrica organizada em enormes quadrados, sem dúvida um dos mais antigos testemunhos de pintura a fresco subsistentes entre nós. O túmulo do arcebispo, aqui colocado, foi contratado, em 1334, pelo coimbrão Mestre Pero e pelo lisboeta Telo Garcia. Ao lado da Catedral, com acesso a partir do claustro, encontra-se o Tesouro da Sé, criado em 25 de Março de 1930, o qual recolhe múltiplas peças reunidas ao longo dos tempos.

 

 

História da Cidade de Vila Nova de Famalicão

 

Vila Nova de Famalicão nasceu para a história em 1 de Julho de 1205, com o Foral de D. Sancho I. Alguns historiadores referem que a povoação hoje denominada Vila Nova de Famalicão já era, nos alvores da nacionalidade portuguesa, sede administrativa e judicial da Terra de Vermoim. Vila Nova de Famalicão é hoje uma terra frequentemente mencionada como um dos principais centros culturais, comerciais e industriais do país. Situada estrategicamente entre as cidades de Braga, Guimarães e Porto, Famalicão é uma cidade de referência no Baixo Minho e no Vale do Ave. Com uma rica e variada tradição cultural que remonta aos tempos pré-históricos, a comunidade famalicense tem-se afirmado com uma personalidade própria e bem definida. Os castros no cimo dos montes, as pontes que abraçam as margens dos rios, as igrejas que refletem espiritualidade, a nobreza das casas solarengas, os usos e os costumes do amanho da terra, a riqueza do artesanato e da gastronomia são um testemunho vivo de uma comunidade que constrói o futuro a cada momento. Liderando um dos polos de desenvolvimento do Vale do Ave, a cuja Associação de Municípios pertence, o concelho de Vila Nova de Famalicão, com cerca de 140.000 habitantes, é uma terra de encantos e oportunidades. Com uma localização privilegiada no noroeste português, entre o Porto e a Galiza (Espanha), o Município de Vila Nova de Famalicão é servido por um cruzamento de autoestradas - A3 (Porto-Vigo) e A7 (Guimarães-Póvoa de Varzim) - e por um serviço de transportes ferroviários de vanguarda, com ligações diretas a Braga, Guimarães, Porto, Vigo, Coimbra, Lisboa e Algarve. Daí a força da sua indústria diversificada e a dinâmica socioeconómica característica do Município. Vila Nova de Famalicão acolhe a sede das maiores e melhores empresas do país em vários sectores da indústria: no têxtil, nos pneus, no vestuário, no sector alimentar, na construção de obras públicas...  Terra do escritor Camilo Castelo Branco, Vila Nova de Famalicão é um concelho a conhecer. Nomeadamente o dinamismo das suas associações desportivas, a sua oferta cultural multifacetada - que tem o seu máximo expoente na Casa das Artes -, o seu Turismo rural e religioso, as suas festas e romarias, os seus restaurantes, o seu património cultural e industrial...










 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

História da Cidade de Barcelos

 

Localizada na margem direita do rio Cávado, é sede de Concelho e é nesta qualidade que abraça as freguesias de Barcelos "Santa Maria Maior", de Vila Boa e Arcozelo a Norte, Barcelinhos a Sul, Tamel de S. Verí­ssimo a Nascente e Vila Frescainha S. Martinho a Poente. A proximidade do rio Cávado ditou a história desta cidade que, desde a época romana, era o ponto de atravessamento preferido dos viandantes. Passava por aqui uma importante via que, segundo Ferreira de Almeida, «seria uma estrada que derivava da via Braga - Porto. (...) cruzava o Cávado em Barcelos e, continuando para noroeste, iria entroncar na via per loca marítima». A partir deste local e para Norte, seguiria outra via em direção a Ponte de Lima. A passagem das gentes por estas vias e a proximidade do rio viriam, ainda que a longo prazo, a determinar o processo de fixação humana. Alguns vestí­gios encontrados promovem a ideia de que na origem da cidade estariam as vilas agrá¡rias e que esta teria nascido da confluência de atividades como a almocrevia e o comércio. Aliás, como consequência destas atividades, em meados do século XIII, surge uma feira que tornou Barcelos num palco de atrações de uma vasta zona. Os almocreves dinamizavam Barcelos que funcionava como um ponto estratégico de ligação com cidades como Porto, Braga, Viana do Castelo e Ponte de Lima. A questão relativa à  fixação das pessoas tem vindo a suscitar inúmeras teorias que tentam dar resposta à  questão de quando se iniciou este processo. Apesar da ausência de documentos escritos e vestí­gios arqueológicos que atestem com clareza uma data provável, o Professor Ferreira de Almeida avança com a ideia de que a fixação remonta à  época alti-medieval, com o nascimento da nacionalidade, contrariando as teorias que sugeriam um processo de ocupação romana ou até mesmo anterior. Quanto à extensão geográfica da cidade, sabemos que a presença do rio e possí­veis subidas das águas empurraram as populações para a zona nascente, que oferecia melhores condições para uma fixação permanente, além de que a sua cota superior possibilitava um maior domínio do território. Do Foral de Barcelos, concedido por D. Afonso Henriques provavelmente entre 1156 e 1169 (sendo o mais remoto pergaminho da freguesia), nada se consegue apurar quanto à  extensão do termo, no entanto, tudo nos leva a crer que se tratava de um povoado pequeno, mas detentor de uma certa importância, já que desde 1177 contava com uma gafaria - instituição hospitalar para leprosos - à  entrada da vila, no local da Fonte de Baixo, a qual atingiu o seu apogeu na centária de trezentos. Segundo o Tombo de 1498, as terras pertencentes à  gafaria estendiam-se desde a «Facha (Ponte de Lima), a norte, até S. Miguel das Marinhas, junto ao mar, e Minhotães, a sul...». As Inquirições régias de 1220 referem-se a Barcelos como uma Freguesia do Julgado de Neiva, com o orago de Santa Maria Maior, e as Inquirições de 1258 fornecem algumas informações preciosas sobre a vila à  qual é já atribuí­do um núcleo urbano, bastante arruado, com uma igreja paroquial e o ougue, circundado por arredores como os de Cimo de Vila, de Fundo de Vila e do Vale. Em 1258, começava a desenhar-se a estrutura da cidade, cuja mancha urbana se concentrava na zona dos atuais largos do Apoio e Dr. Martins Lima. O principal armamento seria o que ligava o ponto de atravessamento do rio à  via que se dirigia a Ponte de Lima e Viana do Castelo. O Largo do Apoio ou do Poyo teria, assim, sido o primeiro centro cí­vico da vila e, apesar de não haver documentos que o atestem, a casa do alcaide, localizada nesse largo, atual casa dos Carmonas, poderia ter sido a primeira sede da administração local. Refira-se ainda que, na Inquirição de D. Afonso III, surgem já nomes e locais ainda subsistentes, tais como Pessegal, Casal de Niqui (que o tempo se encarregou de transformar em Casal de Nil) e outros já desaparecidos, como Cimo de Vila e Barroco. Aquando da passagem à condição de vila condal, esta urbe já se encontrava bem formada, nas suas linhas principais. No final do século XV, era já uma realidade na urbe, o centro cí­vico com as sedes das principais instituições, as principais artérias estruturando o burgo intramuros e o campo da feira. Relativamente ao carácter administrativo, sabemos que Barcelos começou por ser Vila Régia, em resultado da Carta de Foral concedida por D. Afonso Henriques. Ao permanecer sob a alçada real, Barcelos ficaria sujeita a legislação e tributação específicas. Esta condição de vila régia seria alterada em 1298, no reinado de D. Dinis, que num gesto de recompensa para com o mordomo-mor e diplomata João Afonso Telo de Meneses, Senhor de Albuquerque, pelas diligências por este efetuadas para a definição das fronteiras, aquando do Tratado de Alcanices, o nomeia Conde da Vila de Barcelos. Assim, João Afonso passa a ser o primeiro conde vitalí­cio de Portugal, com direito de transmissão dos poderes aos seus descendentes. A passagem da condição de Vila Régia a Vila Condal teria uma influência crucial no evoluir da urbe que, desde logo, se destacou das povoações vizinhas, já que adquire um estatuto e jurisdição autónomas. Está dado iní­cio a um processo de contí­nua evolução da Vila de Barcelos, que beneficiou, desde então, do lugar de relevo que os seus representantes - os condes - detinham nas Cortes. 1° Conde de Barcelos - 1298 - Conde João Afonso Teles de Meneses - Senhor de Albuquerque. 3° Conde de Barcelos - D. Pedro (filho bastardo de D. Dinis). 7° Conde de Barcelos - 1385 - D. Nuno Alvares Pereira - Condestável do Reino. 8° Conde de Barcelos - 1401 - D. Afonso, recebe o condado como dote de casamento com D. Beatriz, filha de D. Nuno Álvares Pereira. 9° Conde de Barcelos - D. Fernando I. 10° Conde de Barcelos - 1478 - D. Fernando II. 12° Conde de Barcelos - 1532/1563 - D. Teodísio. No ano de 1640, Barcelos volta à condição de Vila Régia, na sequência da ascensão da família de Bragança à realeza, obtendo das grandes privilégios, entre os quais a concessão, por dois ou três anos, de um imposto à real de água» destinado à realização de obras, tais como a renovação da Colegiada e do edifí­cio da Misericórdia, com o seu hospital e a edificação do Mosteiro do Terço, da Igreja da Ordem de S. Francisco e do Passeio dos Assentos. Em 1836, na sequência da vitória da fação liberal, foi iniciada uma reforma administrativa, que viria a dar um duro golpe na extensão do enorme Concelho de Barcelos e sua Comarca, que veem diminuir a influência que, desde há muito, possuíam sobre outras áreas. Relativamente ao topónimo, são indicadas várias hipóteses como predecessoras do nome "Barcelos": as designações "Barca coeli", Barca do céu", ou "Barca celani" .

 

 

 

A Lenda do Galo de Barcelos

 

Uma das mais importantes lendas medievais do éradio popular português originaria no Caminho de Peregrinação a Santiago de Compostela, se imortalizou na cultura lusitana através do famoso Galo de Barcelos que de símbolo do artesanato Barcelense se elevou ao mais importante ícone de identidade de Portugal no Mundo. A curiosa lenda do galo está associada ao cruzeiro medieval que faz parte do espólio do Museu Arqueológico da cidade. Segundo esta lenda, os habitantes do burgo andavam alarmados com um crime e, mais ainda, com o facto de não se ter descoberto o criminoso que o cometera. Certo dia, apareceu um galego que se tornou suspeito. As autoridades resolveram prendê-lo e, apesar dos seus juramentos de inocência, ninguém acreditou. nele. Ninguém acreditava que o galego se dirigisse a S. Tiago de Compostela, em cumprimento de uma promessa, sem que fosse fervoroso devoto do santo que, em Compostela, se venerava, nem de S. Paulo e de Nossa Senhora. Por isso, foi condenado à forca. Antes de ser enforcado, pediu que o levassem à presença do juiz que o condenara. Concedida a autorização, levaram-no à residência do magistrado que, nesse momento, se banqueteava com alguns amigos. O galego voltou a afirmar a sua inocência e, perante a incredulidade dos presentes, apontou para um galo assado que estava sobre a mesa, exclamando: “É tão certo eu estar inocente, como certo é esse galo cantar quando me enforcarem”. Risos e comentários não se fizeram esperar mas, pelo sim pelo não, ninguém tocou no galo. O que parecia impossível tornou-se, porém, realidade! Quando o peregrino estava a ser enforcado, o galo assado ergueu-se na mesa e cantou. Já ninguém duvidava das afirmações de inocência do condenado. O juiz correu à forca e viu, com espanto, o pobre homem de corda ao pescoço. Todavia, o nó lasso impedia o estrangulamento. Imediatamente solto foi mandado em paz. Passados anos voltou a Barcelos e fez erguer o monumento em louvor a S. Tiago e à Virgem.

 

 

História da Cidade de Esposende

 

A maior parte dos povoados do concelho, cujo povoamento remonta aos tempos pré-históricos, tem a sua origem ligada ao aproveitamento agrícola dos campos, pesca e recolha de plantas marinhas. Admite-se que Fão seja de origem celta e tenha constituído uma grande cidade e um importante porto no tempo do domínio romano. Apúlia parece ter origem romana (o seu núcleo litoral nasceu com o aproveitamento dos terrenos arenosos e com a pesca), da mesma forma que se aponta como possível que na sede do concelho. O marco histórico do Concelho de Esposende regista-se no séc. XVI, mais propriamente a 19 de Agosto de 1572. No entanto, o séc.XII  apresenta já alguma documentação, através da análise das sucessivas inquirições, dando a conhecer delimitações territoriais, pessoas que ali moravam, mas fundamentalmente, o evoluir do fenómeno toponímico do séc. XIII aos nossos dias. Foi já no reinado de D. Sebastião que este, após várias diligências dos moradores de Esposende, entendeu elevar Esposende à categoria de vila. Deu-lhe um termo ao redor e criou condições geográficas e administrativas para que se desenvolvesse como terra autónoma. O comércio marítimo, a construção naval fazem com que Esposende se desenvolva urbanisticamente, atraindo nova população e transformando-se,  pouco a pouco num grande centro piscatório e comercial. Em 16 de Dezembro de 1886, um Decreto Régio cria o seu Julgado Municipal, doze anos depois, em 27 de Outubro 1898, surge a Câmara Judicial de Esposende e, mais tarde em 19 de Agosto de 1993, Esposende conquista o estatuto de Cidade.

 

 

 

História da Cidade de Fafe

 

Fafe é uma das cidades da província do Minho, do distrito de Braga e situa-se a 32 Km a Este da Capital de Distrito, onde possui uma área de 216,72 Km2 aproximadamente, de que fazem parte 36 freguesias, às quais se encontram circundadas pelos concelhos de Cabeceiras e Celorico de Basto, Guimarães, Póvoa de Lanhoso, Felgueiras  e Vieira do Minho.

Fafe é uma jovem cidade do Minho, mas com origens antigas. Por aqui andaram povos como os Lusitanos e os Romanos que deixaram marcas consideráveis, hoje pontos atrativos aos visitantes. Fafe é uma terra, pequena, mas com valor, pois possui inúmeros monumentos e agradáveis espaços verdes. Fafe é também conhecida pelo lema “Com Fafe ninguém fanfe”, lema esse que apareceu quando, há muitos anos atrás, se fez justiça a favor do Visconde Moreira de Rei. Nesse tempo, como agora, o lema provoca um sorriso de simpatia por todos os fafenses. Talvez por isso e por ser uma pequena cidade que tão bem acolhe os visitantes, Fafe foi e ainda é considerada a SALA DE VISITAS DO MINHO. Fafe é uma cidade recente, mas que, como povoação, existe desde o Séc. XIII, sendo apenas uma freguesia do concelho de Montelongo. Esta freguesia desde muito cedo, iniciou o seu desenvolvimento. Assim em 1836 torna-se sede de concelho e quatro anos mais tarde sobe à categoria de Vila, tomando para designação o nome Fafe. Este Topónimo surge como que por homenagem às duas famílias mais poderosas da região ( Egas Fafe e Dom Fafes Serafins). Durante o século seguinte a sua população aumentou. Torna-se uma Vila que vive à base da indústria têxtil, da agricultura e dos serviços. Em 1980 já tinha 48.000 habitantes, 36 freguesias e era uma Vila bastante desenvolvida. Passando então, por mérito próprio à categoria de Cidade. Fafe é agora uma terra relativamente desenvolvida, mas que tem na memória o seu passado e as suas origens.

 

 

 

História da Cidade da Póvoa de Varzim

 

Póvoa de Varzim é o nome da nossa cidade. Explicá-lo representa uma aliciante viagem às suas origens históricas ou mesmo pré-históricas pelo que sou tentado, ao iniciá-la, a recorrer à fórmula genesíaca: no princípio... era a terra de Varazim, ignoto Senhor que a possuiu em tempo não menos ignoto mas, com certeza, posterior à romanização e lhe deu o nome. Alguns achados arqueológicos, muito expressivos em Martim Vaz (hoje, zona desportiva) e menos na Junqueira e Vila Velha, informam-nos da presença e da ação do homem na antiguidade. Porém, o documento identificador do nosso território - Villa Euracini - tem a data de 953 e pertence ao cartulário da Colegiada de Guimarães, designado por Livro de Mumadona. A terra e, sobretudo, o mar que a beija sussurrante e, depois, se deixa amimar em profundo amplexo, despertaram na Idade Média o interesse económico de fidalgos, cavaleiros e eclesiásticos, ávidos de rendas, entre os quais se destaca a estirpe de D. Lourenço Fernandes da Cunha, sem dúvida os mais produtivos colonizadores do nosso território. Os seus casais situavam-se na parte norte, numa área denominada, já no séc. XIV, por Vila Velha. Alguns desses casais pertenceram à Ordem Militar do Hospital e usufruíam o privilégio de "Honra", andando a terra registada com o nome de Varazim dos Cavaleiros e, mais tarde, Varazim de Susão. Outra parte de Varazim, mais para sul, era terra reguenga e os casais pagavam para o Rei tanto dos frutos da terra como do mar, pois havia no seu porto um interessante movimento de pesca. Foi, precisamente, a cobrança do imposto do pescado, dito navão ou nabão, disputado pelos mordomos régios e senhorios de Varazim de Susão, que originou a intervenção do rei a fim de acabar com a instabilidade no território, recuperar a renda da pesca e arrotear as terras de reguengo. Assim, em 1308, depois de arrolados os 54 casais de Varazim, mandou El-Rei D. Dinis passar carta de Foral doando-lhes o reguengo de Varazim de Susão, com o encargo de aí fundarem uma Póvoa, se associarem em Conselho de Vizinhos com seu Juiz eleito e, darem-lhe, anualmente, um foro coletivo de 250 libras e os direitos de aportagem. Eis a origem da nossa terra e do nome que ostenta. A Póvoa de Varzim arranca para o desafio dos tempos voltada para a sua angra marítima que lhe garante a subsistência e havia de ser o primeiro motor do seu desenvolvimento e prosperidade. Desafio dos tempos... disse... para recordar os principais lances do evoluir histórico do nosso burgo. Em 1312, o rei D. Dinis doou a Póvoa de Varzim ao filho bastardo Afonso Sanches de Albuquerque e este, por sua parte, meteu-a no património do mosteiro de Santa Clara (1318) que acabara de fundar em Vila do Conde. O domínio do senhorio eclesiástico através da Abadessa e seus ministros, chegou a ser total e durou o melhor de duzentos anos. Ainda ele decorria quando D. Manuel mandou dar foral novo à Vila (1514), reformando o antigo na parte fiscal e provendo-o de mecanismos alternativos à jurisdição do mosteiro. Suspeita-se que estes foram acionados a partir de 1537, data em que as jurisdições do mosteiro são postas em arrematação e a dependência das justiças locais passaria para o desembargo do Paço e seu Corregedor na comarca do Porto. A pequena Vila da Póvoa, que não contaria mais de quinhentos habitantes, sente o ar benéfico que percorre o litoral do país, envolvido no vultoso tráfico das descobertas e conquistas, e assume a feição de burgo com a sua Casa do Concelho, Praça Pública e Pelourinho, onde os Homens Bons da terra e do mar jamais se aquietarão em projetos destemidos. Um deles consistiu na emancipação religiosa da paróquia de Argivai, criando-se a Vigararia de Santa Maria de Varzim com sede na ermida da Mata, que teve de ser ampliada e preparada para o efeito. Aí pregou e administrou o crisma, em 1560, o santo Arcebispo Frei Bartolomeu dos Mártires. De resto, o séc. XVI deu à terra aquela estrutura administrativa, social e religiosa que permitiu vencer algumas crises difíceis que o século seguinte lhe reservaria. Refiro-me, em particular, às onerosas questões territoriais com a Câmara de Barcelos. É na segunda metade do séc. XVII que se deteta a existência de uma pequena comunidade piscatória dedicada à pesca do alto para o negócio da salga que começa a desenvolver-se e a florescer. No século seguinte, a Póvoa de Varzim vai transformar-se na maior praça de pescado do norte do país. Um autêntico exército de almocreves batia, diariamente, caminhos e veredas fazendo penetrar nas Províncias do interior o saboroso peixe da Póvoa. Os seus pescadores eram conhecidos em toda a costa como os mais laboriosos, expeditos e sabedores dos mares. O destemor com que enfrentavam a sua perigosa barra criou a figura lendária do "poveiro". Aumentadas as pescas, o tecido urbano ganha uma dimensão nova e criam-se zonas ribeirinhas de domínio, quase absoluto, da pescaria. O dinheiro entra com abundância no cofre das sisas; o comércio engrossa; a indústria da salga prospera e o bem estar da população reflete-se no levantamento de três edifícios religiosos: Matriz (1743), Lapa (1772) e Sra. das Dores, esta iniciada em 1776 mas só concluída no século seguinte. Funda-se a Santa Casa da Misericórdia (1756) e o Corregedor Almada obtém para a Póvoa uma provisão régia (1791) que lança os fundamentos de uma nova urbe: praça pública unindo a parte alta, mais antiga, à parte ribeirinha; Casa da Câmara, quadrando o norte da praça; Aqueduto das águas livres com o seu tanque e chafariz na praça e uma "Caldeira" no mar para abrigo dos barcos. Embelezada a vila e protegido o trabalho, a Póvoa não mais cessa de crescer e muitos a procuram, também, para o benefício dos "banhos do mar": mal se vislumbra, ainda, o sucesso deste facto socioeconómico que iria fazer da Póvoa de Varzim, já na 2ª. metade do séc. XIX, a grande estância balnear frequentada pela melhor fidalguia do aquém Douro. Nos seus belos salões misturam-se graves figuras da política, das artes e das letras com a burguesia fruste criada pela Regeneração e ourados "brasileiros" de torna-viagem. É a época do café-concerto e da tavolagem secreta que a ligação ferroviária Porto-Póvoa (1875) e a linha americana Vila do Conde - Póvoa (1874) vão animar consideravelmente. A pesca, os banhos de mar e o jogo constituem, agora, as bases do progresso da Póvoa de Varzim, o eixo da sua evolução económica e o centro de todas as paixões políticas. A atividade piscatória ancora-se, hoje, em seguro porto de abrigo; a praia de banhos equipa-se com modernas e atraentes estruturas; o jogo, regulamentado e oficial, encontra-se no seu monumental casino, interiormente, de uma beleza extasiante e animou de constante e multiforme criação artística. A cidade da Póvoa de Varzim fixou-se como ponto capital da região turística da Costa Verde."

 

 

 

História da Cidade de Vila do Conde

 

Vila do Conde é um dos mais antigos termos do norte de Portugal. As suas origens estão para lá da fundação do território português, remontando ao ano de 953 o primeiro documento escrito que refere Villa de Comite, numa carta de venda de bens, por Flamula Deo-Vota, ao Mosteiro de Guimarães. As origens ancestrais desta cidade costeira desenvolvem-se desde o Castro de S. João Baptista, local onde, em 1318, D. Afonso Sanches e D. Teresa Martins fundariam o Mosteiro de Santa Clara, monumento que, restaurado e ampliado no século XVIII, é um dos ex-libris de Vila do Conde. Durante o século XVI, particularmente, Vila do Conde atingiu o seu apogeu comercial e marítimo com a construção naval, fortemente ligada aos Descobrimentos, cuja tradição se mantêm até aos dias de hoje, e com o seu porto e alfândega, constituindo um entreposto comercial de relevo na história de quinhentos. A passagem de D. Manuel por Vila do Conde, numa peregrinação a Santiago de Compostela, em 1502, seria um acontecimento largamente marcante para a então Vila, uma vez que deu o impulso que faltava para a construção da Igreja Matriz, a Praça Nova e Paços do Concelho e a abertura de novas artérias na malha urbana. Atualmente, Vila do Conde procura manter a dinâmica de uma cidade direcionada para o futuro e, exemplo disso, são as últimas intervenções que vêm a acontecer nos principais pontos da cidade. Assim, focamos a requalificação da zona envolvente ao Mosteiro de Santa Clara, a intervenção na zona do Cais da Alfândega, com a construção de um ancoradouro de barcos de recreio, a construção e musealização de uma replica de uma nau quinhentista, entre outros, bem como na frente urbana marítima no âmbito do Programa Polis, que procurou reestruturar este espaço urbano com vista ao usufruto das condições naturais que a proximidade do mar permite. A nível arquitetónico, Vila do Conde oferece um vasto leque de monumentos a visitar, como o Mosteiro de Santa Clara, a Capela do Socorro, a Igreja Matriz, o Forte de S. João Baptista, a ermida da Senhora da Guia, cuja construção aponta para o século X / XI, casas solarengas, o aqueduto, citando apenas alguns exemplos, cuja preocupação em preservar e recuperar tem sido uma constante. Cidade do distrito do Porto, é sede de concelho composto por 30 freguesias, que reúnem entre si uma série de características que fazem de Vila do Conde uma terra singular. Tem cerca de 74000 habitantes. Os 18 km de praias conjugam-se com a ruralidade das freguesias mais a interior, sendo visíveis legados da pré-história, como o Castro de S. Paio, ou a Cividade de Bagunte, exemplares de arquitetura do românico, como a igreja de Rio Mau, as casas e solares rurais e brasonados ou a tradição monástica de Junqueira, Azurara ou Vairão. Como anfitriã de uma das mais prestigiadas feiras de artesanato, também esta é uma característica marcante em Vila do Conde. Desde a tradição das mantas de trapos, as camisolas de lã, os trabalhos em ferro forjado, a escolha é vasta, com particular relevo para as rendas de bilros, de tradição secular. Na gastronomia, destaque para a doçaria conventual, que a sabedoria das freiras das casas conventuais legou. É nos meses de Verão que aqui decorrem eventos de prestígio, como o Festival Internacional de Curtas Metragens, a Feira Nacional de Artesanato, a Feira da Gastronomia, a Feira das Atividades Agrícolas e as Festas a S. João, padroeiro de Vila do Conde. De 4 em 4 anos, as Festas do Corpo de Deus ganham um significado particular, já que as ruas são decoradas com tapetes de flores cheios de cor e beleza.

 

 

 

História da Cidade de Santo Tirso

 

Santo Tirso, situa-se no Douro Litoral, Norte de Portugal. É a maior concentração do sector têxtil do País. Este concelho é de incomparável beleza, está emoldurado de vegetação. A  paisagem rural, com suas terras férteis, perfazem um encanto natural, que caracteriza a região. A cidade, de Santo Tirso, desenvolveu-se em volta do Mosteiro de S. Bento, cuja fundadora, foi Únisco Godinhes, em 978. O Mosteiro foi sagrado pelo Bispo Crecónio de Coimbra, em 1092, depois de ter sido reformado e nele implantada a ordem de S. Bento, no decorrer do Século XI. Soeiro Mendes Da Maia, em 1097, obtém a primeira carta de Couto, cedida pelo Conde D. Henrique, para a povoação. No ano seguinte, Este, cede os direitos para o Mosteiro, tornando-se então, dos mais poderosos do País, obtendo, inclusive, Bulas de proteção dos Papas Inocêncio III e Honório III. D. Sancho I, Afonso II e a Infanta D. Urraca Sanches, fizeram importantes doações que contribuíram para o desenvolvimento do Mosteiro e posteriormente da povoação. A Cidade de Santo Tirso, situa-se na margem esquerda do Rio Ave, passou em 1833 a Sede de Concelho, a vila em 1863 e foi elevada a cidade em 1985. A região, com suas férteis terras e acentuada industrialização, é uma zona bastante rica. Além do importante papel que representa junto do sector têxtil nacional, graças ao seu elevado nível produtivo, a região tem unidades de montagem de automóveis, máquinas e fabrico de pneus. Santo Tirso é uma cidade tranquila, apesar do seu alto nível económico, de onde se sobressaem Monumentos Históricos como a Ponte Medieval da Lagoncinha, a Igreja de S. Tiago, em Antas, ou também o Museu Abade Pedrosa, pegado ao Mosteiro. A sua principal Romaria realiza-se todos os anos entre 9 e 11 de Julho, em memória e honra de S. Bento e decorre junto do Mosteiro. Na região, um dos locais mais atrativos, é o Monte Padrão, devido há magnifica paisagem, que daí se pode desfrutar. É aí que se encontra um Castro Luso Romano. Perto, a uns duzentos metros, situa-se a citânia de Sanfins, que é um forte contributo histórico cultural, para a região, devido aos vestígios pré-históricos aí encontrados. Um pouco mais acima do Castro, a norte, encontra-se o Santuário de Nossa Senhora da Assunção, um templo em granito, com estilo neo-românico, construído em 1934. Todos os anos se realiza, junto do esplendoroso Santuário, uma romaria em honra da Santa, em 15 de Agosto. Toda esta zona está envolvida por uma exuberante vegetação. Na encosta deste monte, da freguesia de Monte Córdova, nasce o rio Leça; foi junto à margem deste rio, perto da nascente, no local de Valinhas, que Camilo Castelo Branco, se serviu como cenário, no Romance: " A Bruxa de Monte Córdova ". Neste concelho, de Santo Tirso, encontra-se outro importante Mosteiro, o de Singeverga, pertencente há ordem de S. Bento. A sua construção de granito é habitada por monges, desde 1931, desde então aí instalados. Uma das suas riquezas é o famoso Licor de Singeverga, feito pelos próprios monges e o seu fabrico obedece a receitas antigas, datadas do sec. XVI. É de enaltecer a coleção de borboletas, propriedade deste Mosteiro, que é das maiores do mundo e a maior de Portugal. O Museu de Arte Angolana, também é uma grande valia cultural, sobretudo pelos seus exemplares de escultura Quioca. Perto de Singeverga, encontra-se uma Igreja Românica, do século XIII, no local de Roriz.

 

Informações retiradas de diversos sites

Fraternidade de Nuno Álvares - Direção Regional do Porto